Presidente do PT propõe criação urgente de um ‘cordão sanitário democrático’

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 1 de abril de 2021 as 16:20, por: CdB

A crise sem precedentes com os militares foi aberta após Bolsonaro determinar a demissão do então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva na última segunda-feira. Um dia depois, em solidariedade a ele, os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica pediram demissão coletiva.

Por Redação, com ACS – de Brasília

Presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann reafirmou, nesta quinta-feira, a necessidade de ser criado um “cordão sanitário democrático” para evitar que a crise envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o Alto Comando das Forças Armadas não transborde para a sociedade. Ela também disse que os militares devem aproveitar a oportunidade para dar “meia-volta” e parar de interferir na política.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) aponta uma série de crimes cometidos por Jair Bolsonaro (sem partido), suficiente para afastá-lo da Presidência da República
A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) aponta uma série de crimes cometidos por Jair Bolsonaro (sem partido), suficiente para afastá-lo da Presidência da República

A crise sem precedentes com os militares foi aberta após Bolsonaro determinar a demissão do então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva na última segunda-feira. Um dia depois, em solidariedade a ele, os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica pediram demissão coletiva. Novos comandantes militares foram nomeados nesta quarta-feira.

— Essa é uma briga deles. Tem que ter um cordão sanitário democrático para não vir para o lado da sociedade, que tem se manifestado reiteradamente sobre o papel constitucional das Forças Armadas. Eles têm que largar da política. É o que a gente também espera dos militares que apoiaram Bolsonaro — disse Gleisi, à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA), nesta quinta-feira.

Interferência

Sem citar nomes, ela afirmou que integrantes da cúpula militar ofereceram destacado apoio político para que Bolsonaro alcançasse a presidência.

— Que parem de apoiá-lo politicamente. Que não pressionem o STF, que não deem mais palco para atos e arroubos autoritários. Por fim, que deem meia-volta e recomponham-se no seu papel, em nome da estabilidade — exortou a parlamentar.

A interferência política de Bolsonaro nas Forças Armadas moveu partidos da oposição – PT, PSB, PSOL e Rede – a apresentar mais um pedido de impedimento contra o presidente. Parlamentares petistas também protocolaram pedido de convocação do novo ministro da Defesa, general Braga Netto, bem como de seu antecessor, para darem explicações à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Além das explicações sobre as causas da demissão coletiva dos comandantes militares por Bolsonaro, Hoffmann afirmou que é preciso saber qual é a visão do novo ministro sobre o papel dos militares.

— É importante saber. As Forças Armadas são uma instituição de Estado. Não podem ter posicionamento político. Política e arma não combinam. Política e arma é guerra, interna ou externa. Portanto, tem que ter posicionamento de Estado. Me parece que uma parte está tendo. A ver, agora, com esses comandantes recém-nomeados — disse a petista.

Descoordenação

Para a deputada de centro-esquerda, Bolsonaro “encarna a crise”.

— Enquanto esse homem não sair da cadeira da presidência, não vamos conseguir resolver os problemas do país — declarou.

Hoffmann destacou, em especial, a crise sanitária – com a falta de vacinas e insumos, além da descoordenação do governo no combate à pandemia –, que vem resultando em sucessivos recordes no números de mortos pela covid-19.

Além disso, soma-se à crise econômica e social, em função da alta do desemprego, da elevação dos preços dos alimentos e demora para a prorrogação do auxílio emergencial, com valores considerados insuficientes. A esse quadro, soma-se agora a crise política desencadeada pelo choque com a cúpula militar.

Diante disso, Bolsonaro ainda ataca as medidas restritivas determinadas pelos governadores para tentar conter o avanço da pandemia, tendo movido ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decretos de isolamento publicados pelos governos da Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul.

Auxílio emergencial

Da mesma forma, seus apoiadores aproveitaram a morte de policial em surto para estimular sublevações. Gleisi afirmou que o PT também vai cobrar que as deputadas Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP) sejam investigadas pelo Conselho de Ética. Ambas publicarem mensagens apoiando a insurreição de policiais contra os governos estaduais.

“Não podemos ter um presidente que, em vez de coordenar o processo, pacificar as coisas e apresentar soluções, se torne um incendiário, um agitador, alguém que faz disputas políticas o tempo todo a partir da presidência da República”, criticou Gleisi.

A parlamentar disse, ainda, que a oposição luta para aprovar no Congresso a ampliação do auxílio emergencial para R$ 600, assim como ocorreu no ano passado. Ela lembrou que, no início da pandemia, o governo Bolsonaro propôs apenas R$ 200, mas o valor foi alternado pelos parlamentares, após pressão da oposição.

Pandemia

A presidente da legenda afirma, ainda, que será preciso “muita pressão popular” para conseguir a elevação do valor do benefício. Pelos valores fixados pelo governo, o auxílio emergencial que volta a ser pago a partir deste mês vai de R$ 150 para quem mora sozinho a R$ 375 para mulher chefe de família.

Além disso, Gleisi destacou que apenas quatro parcelas também serão insuficientes, já tudo indica que a pandemia deve perdurar para além desse período.

— O Brasil tem condições de aumentar a emissão de títulos e colocar dinheiro na economia. Temos reservas internacionais de R$ 380 bilhões. Temos condições de nos endividarmos um pouco mais para enfrentar esse momento de crise. Se não fizermos isso, vai ser difícil de sair lá na frente — resumiu a parlamentar.