Presidentes do Brasil e da China criam laços pessoais durante churrasco

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Publicado sábado, 13 de novembro de 2004 as 23:11, por: CdB

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao criaram, neste sábado, laços pessoais que devem ser importantes para o futuro das relações entre o Brasil e a China. A avaliação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorin, ao sair do almoço oferecido em homenagem à comitiva chinesa, na Granja do Torto. Segundo ele, o almoço foi descontraído, alguns assuntos relacionados aos acordos celebrados entre os dois países voltaram a ser comentados também de forma descontraída e o almoço aconteceu em clima predominantemente de amigos.

O churrasco que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu ao presidente Jintao foi a ‘prova dos nove’ que o governo fez para mostrar que a carne brasileira é de qualidade superior. A opinião é do ministro Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que também participou do almoço, na Grande do Torto, em Brasília. Segundo ele, o encontro também serviu para discutir alguns assuntos e acertos de futuras viagens, provando que a parceria Brasil/China e promissora.

Para provar a qualidade do produto brasileiro, o ministro disse que o presidente Lula providenciou carnes de porco, boi e ovelha, além de frutas brasileiras, como as uvas produzidas no Vale do São Francisco, no Nordeste, que não têm sementes. “Eu acho que os chineses gostaram, porque repetiram os pratos”, avaliou Furlan.

Sobre a manifestação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que divulgou nota com críticas aos acordos comerciais do Brasil com a China, alegando que vão prejudicar a indústria brasileira, o ministro disse que já esperava esse tipo de reação. “Eu, como diretor da área de Comércio Exterior da Fiesp, que fui durante 15 anos, teria feito também uma nota de forma precavida, porque, como não se pode imaginar o que vai acontecer, é importante que a indústria coloque ali uma espécie de seguro. Mas nós temos certeza de que os mecanismos no ministério são suficientes para evitar que haja algum dano à indústria brasileira”.

A exemplo do seu colega do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, o chanceler Celso Amorim comentou a nota divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que criticou os acordos entre o Brasil e a China, considerando que vão prejudicar a indústria brasileira.

– Eu estou tranqüilo que isso não acontecerá. É claro que em todo acordo comercial existe uma margem de risco para algum setor. Mas nós estaremos muito atentos e, ao contrário do que se diz, o Brasil não abre mão de utilizar as medidas comerciais, sobre tudo antidunpping.

Para o ministro, os acordos firmados com a China vão deixar um saldo muito positivo para o Brasil. “Vários países estão querendo fazer acordos de livre comércio com a China. A Nova Zelândia, a Austrália, o Chile… Se o Brasil for o último, não ganha nada, e fazendo agora, estamos ganhando a boa vontade do maior mercado do mundo potencialmente. Mas, além disso, entre os acordos não houve somente protocolos. Houve muita coisa concreta, como contratos específicos, investimento no gasoduto, construção de vagões… São coisas que vão gerar emprego e renda no Brasil”, avaliou Amorim.