Preso há um mês, Lula recebe o apoio de militantes em Curitiba

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Publicado segunda-feira, 7 de maio de 2018 as 15:43, por: CdB

Para Regina Cruz, presidente da CUT-PR e uma das coordenadoras do acampamento Marisa Letícia e Vigília Lula Livre, na capital paranaense; a resistência começou a ser construída antes do dia 7.

 

Por Redação, com RBA – de Curitiba

 

Nesta segunda-feira, 7 de maio, faz 30 dias que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso; por ordem do juiz Sérgio Moro. Completa o mesmo período a resistência civil em frente à sede da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. O ex-presidente encontra-se sob custódia, como preso político. Otimistas, os organizadores e acampados fazem balanço positivo, destacando as expressões de solidariedade.

Militantes no acampamento Marisa Letícia, dão bom dia a Lula há um mês
Militantes no acampamento Marisa Letícia, dão bom dia a Lula há um mês

Para Regina Cruz, presidente da CUT-PR e uma das coordenadoras do acampamento Marisa Letícia e Vigília Lula Livre, na capital paranaense; a resistência começou a ser construída antes do dia 7. A pena de Lula, a ser cumprida, é de 12 anos e 1 mês de prisão.

— É mais de um mês de resistência. A partir do momento em que o Lula se dirigiu para o Sindicato do ABC; nós fizemos as primeiras reuniões com todos os movimentos e entidades que compõem a Frente Brasil Popular. Naquela noite não dormimos. Ali começou a vigília; depois os atos em todo o Brasil, até o dia que montamos o acampamento em frente à sede da Polícia Federal — recorda.

Unidade

No sábado, 7 de abril, enquanto a resistência acontecia no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo (SP), a militância em todo o país também estava indo para as ruas em protesto à prisão política do ex-presidente Lula. Em Curitiba, quando a informação chega de que ele se entregaria à Polícia e se encaminharia para a cidade, imediatamente o acampamento começa a ser erguido nas imediações da PF.

— A unidade se consolidou naqueles instantes. Na mesma noite já tínhamos uma organização de comissões e desde lá isso continua. Temos grupos para estrutura, disciplina, segurança, programação, alimentação — relata Regina.

Ao fazer um balanço deste um mês de resistência, ela lembra das bombas no primeiro dia; a multa de 500 mil pela Prefeitura; o interdito proibitório.

— Os constantes ataques de ódio são momentos que só fortalecem todos os que constroem este espaço de unidade e resistência — acrescenta.

Personalidades

Após o primeiro dia, mais de 500 ônibus de todo o Brasil já visitaram a Praça Olga Benário, como foi batizado o espaço em que os eventos acontecem. No 1º de maio milhares de pessoas deram Bom Dia Lula, que ocorre todos os dias às 09 da manhã. Segundo informações da organização, foram recepcionados mais de 250 ônibus.

Um livro de presença foi aberto há duas semanas, dia 25 de abril, e há registro de mais de 3 mil assinaturas. Desde o Paraná até as mais distantes regiões do país e fora dele; como argentinos, mexicanos, equatorianos; colombianos, italianos, franceses; ingleses, americanos, noruegueses e guatemaltecos, entre outros.

Diariamente políticos de todo o Brasil se revezam nas visitas ao Acampamento. Artistas nacionais como Chico César; Inez Viana, Lucélia Santos; Orã Figueiredo e personalidades como as chef de cozinha Bela Gil e Bel Coelho; por exemplo, compareceram ao local.

O teólogo Leonardo Boff e o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel foram barrados na visita ao amigo Lula. Ambos, porém, deixaram palavras de apoio aos que fazem a resistência.

Em seus primeiros dias, o acampamento contou com cerca de mil pessoas acampadas. Hoje há um revezamento das caravanas que chegam, totalizando cerca de 300 pessoas.

Disciplina

Dentro do acampamento há uma organização bastante rígida com equipes de disciplina, estrutura, segurança e alimentação.

— Todo dia tem alguém subindo essa rua com seu saco de arroz, feijão ou outro alimento para doar ao Acampamento. Nós compramos comida apenas no primeiro dia e desde lá, com as doações, em especial do povo curitibano e das caravanas que chegam, estamos nos mantendo —  conta Marcia de Lima, da coordenação de  estrutura do acampamento. Segundo ela, já chegaram a servir de 1,2 mil a 1,4 mil refeições ao dia.

Bruna, que é militante do MST, e também responsável pela alimentação, diz que foi surpreendida pelo expressivo número de doações.

— Todo mundo estava bastante apreensivo com a hostilidade que poderíamos enfrentar. E, na parte de alimentação, ficamos surpresos com o tanto de doação de alimentos que recebemos. Temos um cálculo por cima de mais de 25 toneladas de alimentos doados — concluiu.

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