Preso há quase quatro meses, Lula recebe mais de 15 mil cartas de apoio

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Publicado terça-feira, 31 de julho de 2018 as 16:13, por: CdB

São bastante diversos os perfis das correspondências: estudantes que se formaram através das políticas de inclusão dos governos petistas.

 

Por Redação, com Leonardo Fernandes/BdF – de São Paulo

 

Na cabeceira da mesa, uma foto impressa em tecido enfeita o ambiente e simula a companhia, agora ausente, do destinatário. “Essa foto foi um dos presentes da União Brasileira de Mulheres de Arcoverde. Ela veio junto com uma carta que foi entregue na vigília em Curitiba. Daí colocamos aqui para que nos sirva de inspiração”, conta Calinka Lacort, uma das funcionárias do Instituto Lula responsável por receber e catalogar as milhares de cartas que são enviadas ao ex-presidente Lula, desde sua prisão no dia 7 de abril.

Lula é considerado um preso político, alvo da perseguição judicial para que não possa concorrer à reeleição
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— Logo no começo chegaram milhares de cartas. E aí nós trouxemos para o Instituto. Nós não tínhamos uma equipe específica para ajudar a responder as cartas ao Lula. Então a gente teve que formar uma equipe improvisada, mas muito engajada para fazer esse trabalho — diz Lacort.

Catalogação

A equipe não se resume apenas aos funcionários.

— A família veio ajudar, os companheiros do sindicato, do partido. Todo mundo se engajou muito nessa tarefa. Nesse momento de tanta tristeza, foi o que deu vida ao Instituto (Lula) — conta Lacort.

A maior dificuldade: lidar com a emoção diante de tantas mensagens de carinho e amor ao ex-presidente.

— No começo a gente achava que não ia andar o trabalho, porque cada carta que abríamos a gente se emocionava. É muito amor… A gente se emociona a cada dia — afirmou.

As cartas chegaram, em grande quantidade, na sede do Partido dos Trabalhadores (PT) na capital paraense, na sede da Política Federal do Paraná e no Instituto Lula, em São Paulo. O trabalho de catalogação é feito no Instituto Lula. Logo, as correspondências são enviadas ao ex-presidente, na sede da Superintendência da Polícia Federal. Todas as cartas, sem exceção, são respondidas.

Perfil

São bastante diversos os perfis das correspondências: estudantes que se formaram através das políticas de inclusão dos governos petistas, beneficiários de programas como o Luz Para Todos e o Bolsa Família, cidadãos indignados pela prisão injusta e preocupados com a integridade do ex-presidente.

“Por favor, Lula, se alimente bem, tome bastante água, descanse para ficar com a saúde perfeita, pelo senhor e por todos nós”, escreveu a ‘diarista e mãe de família’ Paula, moradora da Parada de Taipas, em São Paulo. “Peço todos os dias a Deus pela sua liberdade’, disse.

“É um paradoxo, entende? Te prenderam por quebrar barreiras. Não serão as paredes de uma cela que te impedirão de estar sempre no seu lugar: com o povo”, escreveu Ana Arruti, estudante de 22 anos.

A jornalista pernambucana Taís, de 33 anos, relatou um episódio do seu trabalho, que revela o carinho do povo nordestino com o ex-presidente:

“Fui entrevistar uma senhora que receberia as chaves do apartamento de um conjunto habitacional que o senhor inaugurou aqui no Recife. Quando a abordei, ela disse: ‘É para falar mal do Lula não, né? Porque, minha filha, é Deus no céu e Lula na terra. Você não sabe o que é dormir em palafitas, sendo acordada pelos ratos, na maior imundice. Lula não me deu só uma casa, não, ele me deu dignidade”.

Mundo todo

Muitos sindicatos se organizaram para escrever de forma coletiva ao ex-presidente, principalmente os de trabalhadores rurais, além de moradores de assentamentos da reforma agrária. Algumas cidades inteiras se mobilizaram para escrever cartas.

Foi o caso de Conceição do Canindé (PI), um município de pouco mais de quatro mil habitantes, que inundou a sede do Instituto Lula em São Paulo de mensagens dirigidas ao ex-presidente. “São tantas cartas que dá a impressão de que a cidade inteira escreveu para ele”, disse uma das voluntárias.

Desde a prisão do ex-presidente Lula, mais de 15 mil correspondências foram recebidas de diversas partes do país e do mundo. Cidadãos de pelo menos 25 países também enviaram suas mensagens: Canadá, Holanda, Argentina, França, Alemanha, Suíça, Escócia, Estados Unidos, Japão, Itália, Áustria, Reino Unido, Dinamarca, Portugal, Espanha, Irlanda, Bélgica, Noruega, Cabo Verde, Uruguai, Equador, Polônia, Luxemburgo, Líbano e do Vaticano.