Príncipe saudita prende membros da família real

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Publicado sábado, 7 de março de 2020 as 11:08, por: CdB

Mohammed bin Salman ordena detenção de irmão do rei e de dois primos. Prisões ocorrem em meio à campanha do príncipe herdeiro para consolidar seu poder na monarquia absolutista e afastar potenciais rivais.

Por Redação, com DW – de Riad

O governo da Arábia Saudita ordenou na sexta-feira a prisão de três altos membros da família real do país: o príncipe Ahmed bin Abdulaziz – irmão mais jovem do rei Salman -, Mohammed bin Nayef e Nawaf bin Nayef, dois sobrinhos do monarca.

O príncipe Mohammed bin Salman e seu pai, rei Salman
O príncipe Mohammed bin Salman e seu pai, rei Salman

O motivo das prisões não foi divulgado oficialmente. Segundo o jornal New York Times, a ordem partiu do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que tenta consolidar seu poder e sufocar potencias rivais.

Em 2017, Mohammed bin Salman já havia ordenado a detenção de centenas de membros da família real, empresários e membros fo governo em um hotel como parte de uma suposta campanha para combater a corrupção.

Apesar de o poder do país estar nominalmente nas mãos do rei do país, Salman, de 84 anos, a Arábia Saudita vem sendo governada de fato pelo príncipe herdeiro desde 2017.

Tanto Ahmed bin Abdulaziz quanto Mohammed bin Nayef, dois dos presos na sexta-feira, são encarados como críticos do príncipe-herdeiro de 34 anos. Abdulaziz também é visto como uma possível opção para substituir o príncipe herdeiro, já que conta com apoio de outros setores da família real e é visto com simpatia por outros governos.

O poder de Mohammed bin Salman

Já Mohammed bin Nayef chegou a ocupar a posição de príncipe herdeiro do país até ser substituído por Mohammed bin Salman em 2017. Outro preso na sexta-feira, Nawaf bin Nayef, é seu irmão.

O poder de Mohammed bin Salman tem sido contestado após seu envolvimento em escândalos internacionais como o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018 e a prisão de opositores e ativistas dos direitos das mulheres. Ele também é criticado pela condução do envolvimento militar saudita na guerra civil do Iêmen.

Recentemente, o príncipe herdeiro também foi criticado por ordenar de maneira unilateral a interrupção de visitas a Meca em resposta ao coronavírus, um movimento sem precedentes na história do país.