Procurador que atacou juíza entrou com faca de cozinha escondida nas roupas

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Publicado sexta-feira, 4 de outubro de 2019 as 13:50, por: CdB

Testemunhas que estavam no local no momento do ataque relataram que o procurador parecia em estado de surto e intercalava frases sem sentido como “acabar com a corrupção no Brasil”.

Por Redação, com agências de notícias – de São Paulo

O procurador da Fazenda Matheus Carneiro Assunção, que  esfaqueou na quinta-feira a juíza Louise Filgueiras na sede Tribunal Regional Federal da Terceira Região, na Avenida Paulista, entrou no prédio com uma faca de cozinha escondida em suas roupas. De acordo com a Polícia Federal, ele está detido por “tentativa de homicídio”.

De acordo com a Polícia Federal, ele está detido por
De acordo com a Polícia Federal, ele está detido por “tentativa de homicídio”

Segundo o Tribunal Federal da Terceira Região, o procurador entrou no prédio para participar de um congresso de combate à corrupção à administração pública. Para entrar no prédio, ele apresentou sua carteira funcional.

Testemunhas que estavam no local no momento do ataque relataram que o procurador parecia em estado de surto e intercalava frases sem sentido como “acabar com a corrupção no Brasil”.

O procurador  deve passar pela audiência de custódia nesta sexta-feira, em São Paulo. Ele foi preso na quinta-feira pela Polícia Federal após o ataque .

Em nota, o TRF-III diz que “lamenta profundamente o ocorrido, reitera seu comprometimento com a segurança de todos os seus magistrados, servidores, colaboradores em geral e público externo e irá tomar todas as medidas necessárias para a minuciosa apuração do ocorrido.”

As associações reivindicam ainda mais segurança para que os juízes possam trabalhar. “A falta de segurança que acomete o ofício dos magistrados é crônica. Não se justifica, em nenhuma hipótese, colocar vidas em risco por motivo de restrições orçamentárias. A segurança, a ser garantida por profissionais devidamente treinados, é essencial para o exercício do ofício judicante”, acrescenta o comunicado.

Para as instituições, a situação de violência pode ser reflexo do clima político no país. “O momento político em que vivemos, por sua vez, com a interdição do diálogo e a polarização ideológica, contribuem para o acirramento dos ânimos e para o desrespeito crescente às instituições. O Poder Judiciário tem sido objeto de ataques vis, que maculam a sua independência e botam em xeque a sua autoridade”, diz a nota.

O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional lamentou o episódio e também manifestou solidariedade à juíza vítima do ataque. “Manifestamos todo o apoio e solidariedade à magistrada e à sua família neste momento traumático”, diz a nota.

Segundo o sindicato, Matheus Assunção aparentava encontrar-se “em estado de surto psicótico, no momento do ato”. Por isso, a instituição reforçou a necessidade de a apuração levar em consideração “as condições pessoais do procurador Matheus no momento do episódio, conferindo-se a ele o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa”.

De acordo com o sindicato, a atitude do procurador causou espanto nos que conviviam com ele. “Tal fato surpreende a todos da carreira e, principalmente, àqueles mais próximos de Matheus, um profissional dedicado, admirado pelos pares, ingresso na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) desde 2008, mestre e doutor pela USP (Universidade de São Paulo), e a quem amigos e colegas de trabalho reiteram estima”, acrescenta a nota.

Ataque

A Advocacia-Geral da União informou que “referente à prisão do procurador da Fazenda Nacional acusado de tentativa de homicídio contra juíza federal, o advogado-geral da União determinou a imediata abertura de sindicância investigativa no âmbito da instituição.”

“A Advocacia-Geral da União lamenta o ocorrido, registra irrestrita solidariedade à magistrada e repudia todo e qualquer ato de violência”, cita o comunicado.

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