Produção brasileira sobre direitos humanos é selecionada, em Paris

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Publicado sábado, 1 de dezembro de 2018 as 16:33, por: CdB
Atualizado em 04/12/18 11:05

O Festival é totalmente online. Foram selecionados 51 filmes de 19 países diferentes, dentre eles um brasileiro.

 

Por Marilza de Melo-Foucher – de Paris

 

Em comemoração aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – 10 dezembro, vários eventos se organizam em Paris, dentre muitos o Mobile Film Festival, um Festival Internacional de filmes de um minuto, esta edição será dedicada aos filmes sobre direitos humanos.

Cena do vídeo brasileiro, premiado no festival de cinema dedicado aos direitos humanos, em Paris
Cena do vídeo brasileiro, premiado no festival de cinema dedicado aos direitos humanos, em Paris

O Festival é totalmente online. Foram selecionados 51 filmes de 19 países diferentes, dentre eles um brasileiro. Segundo Marina Martins assistente chefa de projetos a grande maioria dos filmes é realizada por jovens cineastas e cada um deles trata de um tema relacionado aos direitos humanos.

Entrevista

Todos eles estão disponíveis online, em no site e nas páginas do Facebook, YouTube e Twitter. O conceito segundo a brasileira Mariana é em  1 minuto, 1 celular, 1 filme e essa edição é uma parceria com a ONU, a União Europeia e o programa YouTube Creators for Change.

Nesta terça-feira, haverá uma Cerimônia de Premiação em Paris, no cinema MK2 Bibliothèque, onde estarão presentes alguns realizadores dos filmes, representantes e organizações parceiras e membros do júri.

Leia, adiante, uma breve entrevista com a jornalista e produtora de vídeos Bruna Weber. Ela foi a única brasileira com a produção selecionada para o festival. Weber é jornalista, nasceu em Novo Hamburgo, interior gaúcho, e nos fala primeiro de seu trabalho como jornalista. Em seguida, sobre a questão dos direitos humanos, concernente a violência e assassinatos de mulheres no Brasil.

— O discurso pode parecer pronto sobre o que é ser jornalista. Ao longo desses anos, trabalhei como repórter de TV em diferentes emissoras, e muitas vezes, o mercado não nos permite produzir aquilo que realmente percebemos que é relevante, aquele outro olhar aos fatos. Na verdade, muitas vezes, nossos fatos são números — aponta.

Direitos Humanos

Ainda segundo Weber, “foi através disso – pesquisando sobre números da violência doméstica no Brasil – que construí a narrativa de Amado Inimigo, única produção brasileira que está na Final do Mobile Film Festival – Stand Up for Human Rights”.

— E os dados impressionam, a cada duas horas uma mulher é assassinada aqui. Isso sem contar, as vítimas de estupro, abuso psicológico e físico. É só buscar nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública — acrescentou.

— Bruna porque a questão dos direitos humanos lhe interessa?

— Os direitos humanos deveriam interessar a todos, todos nós somos vítimas de um sistema que transforma heróis em vilões e vítimas em inimigos mortais, ou seja, somos reféns de um país comandado por políticos corruptos e nossa história carrega uma cultura machista e carregada de violência. Aproveito para desabafar sobre nosso futuro presidente.

Vivemos em uma época em que é necessário ir em busca de paz e igualdade, e o que se viu dos eleitores nas urnas este ano, foi uma mistura de sentimentos: ao mesmo tempo que se busca mudança e extermínio da corrupção, também se nota o preconceito velado que existia dentro de cada eleitor de Jair Bolsonaro.

— O que você espera do próximo presidente do Brasil?

Não tenho conhecimento político para entender as manobras de governo, mas sei que não é o discurso de ódio, machista, homofóbico e preconceituoso que fará nosso país andar para frente. Tenho medo do que irá acontecer por aqui. Tenho medo que as minorias percam os direitos conquistados.

— Qual será o seu compromisso político com esta questão?

— Dentro do possível, através do que sei fazer produção de roteiros e vídeos, tento tocar as pessoas de alguma maneira, e penso que é por isso que conseguimos ser finalistas nesse prêmio. Nossa única intenção era mostrar uma realidade muito triste e dura do nosso país. Diariamente eu noticio sobre vítimas de violência doméstica. E a gente não pode se acostumar, ninguém vai nos calar.  Hoje, com mais de 120 mil acessos em “Amado Inimigo”, penso que de alguma maneira, mobilizamos pessoas.

Já é um começo.

Marilza de Melo-Foucher é correspondente do Correio do Brasil, em Paris.

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