Produção industrial sofre parada mais forte dos últimos dois anos

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Publicado sexta-feira, 3 de maio de 2019 as 15:38, por: CdB

Em março, a produção industrial caiu 1,3% na comparação com o mês anterior, eliminando o ganho de 0,6% de fevereiro, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A produção industrial brasileira caiu no ritmo mais forte para março em dois anos, registrando o segundo trimestre seguido de contração, em uma economia que vem mostrando crescentes sinais de morosidade.

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Indústria brasileira tem sentido os efeitos da crise econômica e produção cai mais do que o esperado

Em março, a produção industrial caiu 1,3% na comparação com o mês anterior, eliminando o ganho de 0,6% de fevereiro, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi pior do que a expectativa em pesquisa da Reuters de recuo de 0,7%, e representou a maior queda para o mês de março desde um recuo de 2,5% em 2017. Com isso, a indústria terminou o primeiro trimestre com contração de 0,4% sobre o período anterior, depois de queda de 1,4% nos três meses entre outubro e dezembro.

— A indústria está produzindo hoje o equivalente ao que produzia em janeiro de 2009, estamos num patamar de 10 anos atrás. De maneira geral, a indústria vem numa trajetória descendente desde meados do ano passado — disse o gerente da pesquisa, André Macedo.

Recuo

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve contração de 6,1% em março, também pior do que a expectativa de perda de 4,6% e a pior leitura para o mês em três anos nessa base de comparação.

O mês de março foi marcado por resultados negativos generalizadas entre as categorias econômicas, com exceção apenas de Bens de Capital, uma medida de investimento. A maior queda no mês foi vista entre os Bens de Consumo, de 2%, enquanto os Bens Intermediários apresentaram recuo de 1,5%.

A única taxa positiva foi em Bens de Capital, de 0,4%, no segundo mês seguido de ganhos.
Dos 26 ramos pesquisados, 16 tiveram perdas, sendo a principal influência negativa a queda de 4,9% de produtos alimentícios.

Brumadinho

Também se destacaram as quedas de 3,2% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, e de 1,7% em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.

— O setor automotivo foi afetado pela menor exportação, paradas de algumas unidades e até a própria chuva que caiu em São Paulo afetou a produção em plantas por lá — explicou Macedo, afirmando que o rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho (MG) em janeiro ainda se refletiu na queda da produção em março.

As expectativas do mercado para o crescimento econômico do Brasil vêm sofrendo sucessivas reduções, juntamente com a piora do cenário para a indústria. A pesquisa Focus mais recente do Banco Central mostrou que a expectativa para 2019 é de um crescimento da indústria 2%, com previsão de expansão da economia de 1,70%.

— Temos problemas internos e externos. Há um elevado número de desempregados, um ambiente de incerteza que causa cautela de consumidores e de empresários na hora de fazer seus investimentos, e ainda tem o componente das exportações que também afetam a indústria com a crise na Argentina — completou Macedo.

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