Propaganda a favor dos transgênicos é criticada por ambientalistas

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Publicado terça-feira, 9 de dezembro de 2003 as 20:11, por: CdB

A Monsanto, multinacional produtora da semente de soja transgênica RR, lançou nessa segunda-feira uma campanha nacional de esclarecimento sobre os organismos geneticamente modificados.

 O objetivo, conforme a empresa, é mostrar à população, principalmente aos estudantes e donas-de-casas, os benefícios que a biotecnologia pode proporcionar. A campanha, com investimentos de cerca de R$ 6 milhões, será veiculada na mídia impressa, nas rádios e TVs até o final desse mês.

Apesar de estar ainda no primeiro dia, a campanha já provocou reações irritadas e atraiu a atenção de ambientalistas contrários aos transgênicos.

De acordo com o coordenador do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc), Edélcio Vigna, a campanha é falsa porque a soja produzida pela multinacional não pode ser considerada adequada para o consumo. “A empresa se negou a realizar o estudo de impacto ambiental, o que poderia ter dado a eles (Monsanto) a garantia de que o produto é seguro”, afirmou.

Vigna classificou o lançamento da campanha como uma “jogada de marketing” e anunciou que já está discutindo com outras entidades e advogados a possibilidade de questionar a campanha judicialmente. “Estamos avaliando se vale a pena entrar na justiça contra a campanha com o argumento de que se trata de propaganda enganosa”, afirmou.

O coordenador do Inesc comemorou a retirada da urgência do Projeto de Lei de Biossegurança, em tdramitação no Congresso. Para ele, o governo tomou a medida corretarreta.
“Queremos votar o projeto, mas queremos discutir”, afirmou. Para o ambientalista, o Congresso não poderia votar uma matéria tão importante sem o conhecimento devido dos parlamentares e da sociedade sobre o assunto.

Já o líder do PPS na Câmara, deputado Roberto Freire, considerou a retirada de urgência do projeto arbitrária e um retrocesso. “Não houve, por parte do governo, nenhuma consulta entre os partidos da base aliada”, afirmou.

Freire cobrou do governo o acordo que foi firmado com os parlamentares para votar o projeto ainda este ano. “Foi um acerto que teve como centro a liberação do plantio da soja transgênica no Rio Grande do Sul por Medida Provisória”, disse.

O deputado argumentou ainda que o adiamento da votação está atrasando o processo de desenvolvimento da política industrial, da ciência e da inovação tecnológica e significa um desprestígio aos cientistas brasileiros.