Propostas de reforma seguem para o Congresso, apesar da crise política em curso

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Publicado segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019 as 15:37, por: CdB

O governo apresenta o pacote anticrime na terça-feira, cumprindo uma de suas principais bandeiras na campanha, e no dia seguinte deve tornar pública a PEC da reforma da Previdência.

 

Por Redação, com Reuters – de Brasília

 

Na mesma semana em que apresenta ao Congresso as duas principais propostas de início de gestão —o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e a reforma da Previdência— o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) busca um desfecho que não dê proporções maiores à crise com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

— Já foi decidido. O Bebianno vai ser demitido, foi isso que foi dialogado. Ele quebrou a confiança do presidente. Acabou — disse o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), à Reuters.

O Congresso receberá, ao longo dessa semana, duas propostas e

O governo apresenta o pacote anticrime na terça-feira, cumprindo uma de suas principais bandeiras na campanha, e no dia seguinte deve tornar pública a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência.

Negociação

No esforço para garantir uma boa aceitação da reforma, o governo já iria promover uma série de encontros com bancadas parlamentares. Agora, trabalha para evitar que a crise envolvendo Bebianno contamine a negociação da medida.

Para a equipe econômica, contudo, a indefinição quanto à situação de Bebianno não altera as perspectivas para a apresentação da reforma aos parlamentares e à sociedade, que deve ser divulgada à imprensa logo no início da manhã de quarta-feira.

— Estamos tranquilos — disse à agência inglesa de notícias Reuters uma fonte da equipe econômica, sob a condição de anonimato, acrescentando que a confiança é baseada “no projeto, no momento, na necessidade e na convergência”.

Pauta importante

Na mesma linha, Waldir descarta que o caso tenha repercussões negativas nas conversas no Congresso sobre as novas regras de aposentadoria.

— O que acontece lá Executivo nós não queremos saber, não. Nem na nossa Casa nós damos conta de resolver os ‘trem’ (sic), nós vamos resolver caso do Executivo? Isso (caso do Bebianno) já está resolvido, temos uma pauta importante pela frente. Cada um no seu quadrado — ponderou.

Bebianno — que comandou o PSL de Bolsonaro durante a campanha presidencial — é o principal personagem de uma crise que se arrasta por uma semana, após ter sido chamado de mentiroso pelo filho do presidente, o vereador fluminense Carlos Bolsonaro (PSC), no Twitter quando disse que havia conversado com o presidente.

Incêndio

Carlos expôs um áudio de Bolsonaro em que o presidente negava ter falado com o ministro. O próprio Bolsonaro endossou a publicação do filho na rede social e posteriormente em uma entrevista de televisão.

No foco, estão denúncias de que, sob a presidência nacional do PSL de Bebianno, candidaturas em Estados teriam cometido irregularidades. Em entrevistas e nota oficial, o ministro negou irregularidade e disse que cabe aos diretórios estaduais responderem por essas supostas acusações.

Parlamentares, ministros e até militares atuaram numa operação para apagar o incêndio e tentar mantê-lo no cargo, mas o acerto desandou após uma conversa entre Bebianno e Bolsonaro. O líder do PSL na Câmara minimizou o atrito entre Carlos, o presidente e Bebianno, e o classificou como um “debate mais acalorado”, algo “comum da democracia”.

— Todo partido tem isso — concluiu.

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