Proteínas no sangue de pacientes com covid-19 podem prever gravidade da doença, diz estudo

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Publicado terça-feira, 2 de junho de 2020 as 11:11, por: CdB

Cientistas descobriram 27 proteínas essenciais no sangue de pessoas infectadas com coronavírus que disseram que podem agir como biomarcadores que preveem o quão grave um portador da doença pode ficar.

Por Redação, com Reuters – de Londres

Cientistas descobriram 27 proteínas essenciais no sangue de pessoas infectadas com coronavírus que disseram que podem agir como biomarcadores que preveem o quão grave um portador da doença pode ficar.

Impressão 3D de particula do novo coronavírus
Impressão 3D de particula do novo coronavírus

Em uma pesquisa publicada no periódico científico Cell Systems nesta terça-feira, cientistas do Instituto Francis Crick britânico e da Charité, Universitaetsmedizin de Berlim, na Alemanha, descobriram que as proteínas estão presentes em níveis diferentes em pacientes de covid-19, dependendo da gravidade de seus sintomas.

Os marcadores poderiam levar ao desenvolvimento de um exame que ajudaria os médicos a prever o quão grave um paciente pode ficar quando infectado com o novo coronavírus SARS-CoV-2, disseram, e também poderia fornecer novas metas para o desenvolvimento de possíveis tratamentos da doença.

A pandemia

A pandemia de covid-19 já matou mais de 374 mil pessoas e infectou mais de 6,7 milhões em todo o mundo.

Médicos e cientistas dizem que os infectados com SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19, reagem de maneira diferente, alguns não desenvolvem nenhum sintoma, outros precisam ser hospitalizados e outros sofrem infecções fatais.

– Um exame para ajudar os médicos a preverem se é provável um paciente de covid-19 se tornar um caso grave ou não seria inestimável – disse Christoph Messner, especialista em biologia molecular do Instituto Francis Crick e coautor da pesquisa.

Os médicos

Segundo ele, tais exames auxiliariam os médicos a decidir a melhor forma de administrar a doença em cada paciente, além de identificar aqueles com risco maior de precisar de cuidado hospitalar ou tratamento intensivo.

A equipe de Messner usou um método chamado espectrometria de massa para examinar rapidamente a presença e a quantidade de várias proteínas no plasma do sangue de 31 pacientes de covid-19 no hospital Charité de Berlim. Depois eles validaram os resultados em 17 outros pacientes com covid-19 no mesmo hospital e em 15 pessoas saudáveis que serviram de referência.

Três das proteínas essenciais identificadas foram ligadas à interleucina IL-6, uma proteína conhecida por causar inflamação e também um marcador conhecido de sintomas graves de covid-19.

Gilead trabalha em novas versões para remdesivir

A Gilead Sciences está desenvolvendo versões mais fáceis de administrar do tratamento antiviral remdesivir para a covid-19 que podem ser usadas fora de hospitais, incluindo por meio de inalação, depois que os testes mostraram eficácia moderada o medicamento administrado por infusão.

Até agora, o remdesivir é o único medicamento que demonstrou ajudar pacientes com covid-19, mas a Gilead e outras empresas estão procurando maneiras de fazê-lo funcionar melhor.

Para pacientes gravemente doentes, a Roche e a Eli Lilly estão testando drogas em combinação com o remdesivir.

A Gilead também está tentando tratar o vírus mais cedo. Outros antivirais, como o comprimido de influenza Tamiflu, funcionam melhor quando administrados o mais cedo possível depois que alguém é infectado.

A Gilead disse em comunicado na segunda-feira que está buscando maneiras de usar o remdesivir mais cedo no curso da doença, inclusive por meio de formulações alternativas. A empresa confirmou em um email que está pesquisando uma versão por meio de inalação, mas recusou mais comentários.

Executivos da empresa, como o diretor médico Merdad Parsey e o vice-presidente financeiro Andrew Dickinson, vêm fazendo entrevistas com analistas de Wall Street nas últimas semanas para discutir os planos, que estão em estágios iniciais.

Eles disseram que, a longo prazo, a empresa está explorando uma formulação de injeção subcutânea de remdesivir, bem como versões de pó seco a serem inaladas. O remdesivir não pode ser administrado como pílula, pois possui uma composição química que se degradaria no fígado, e a formulação intravenosa (IV) é usada apenas em hospitais.

A curto prazo, a Gilead está estudando como sua formulação IV existente de remdesivir pode ser diluída para uso com um nebulizador.

A ideia é que um nebulizador tornaria o remdesivir mais diretamente disponível para as vias aéreas superiores e o tecido pulmonar, já que o coronavírus é conhecido por atacar os pulmões. Também permitiria o tratamento precoce de pacientes com coronavírus que não são hospitalizados.

– As pessoas esperam ansiosamente uma formulação para inalação a tempo, mas o desenvolvimento está nos estágios iniciais – disse Michael Yee, analista da Jefferies, acrescentando que a demanda pode ser limitada, pois muitas pessoas infectadas pelo vírus requerem tratamento mínimo.

A Gilead

Ele disse que a Gilead está aumentando sua capacidade de fornecer remdesivir e começou a conversar com governos de todo o mundo sobre preços comerciais.

Na segunda-feira, a Gilead relatou resultados de testes mostrando que o remdesivir intravenoso proporcionou um benefício modesto para pacientes hospitalizados com covid-19 moderado em comparação ao tratamento padrão.

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