Protesto na Ponte da Amizade prejudica tráfego de mercadorias

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Publicado quarta-feira, 17 de novembro de 2004 as 18:43, por: CdB

Centenas de caminhões com produtos perecíveis estavam parados na quarta-feira de ambos os lados da fronteira entre o Paraguai e o Brasil, devido a um protesto de comerciantes paraguaios contra a intensificação de controles aduaneiros.

Os protestos mantêm bloqueada desde segunda-feira a Ponte da Amizade, que une Ciudad del Este com Foz de Iguaçu, a cerca de 320 quilômetros de Assunção.

O fechamento impediu que os veículos passassem pela ponte e ameaçava provocar prejuízos milionários aos importadores e exportadores do Paraguai, disseram empresários.

– Estamos muito preocupados porque temos centenas de caminhões com mercadorias parados”, disse à Reuters Max Haber, presidente do Centro de Importadores do Paraguai. “Quero apelar à solidariedade porque estamos nos prejudicando – acrescentou.

A Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco) disse que outros 300 caminhões de soja, milho, sementes de girassol e trigo, que têm como destino indústrias brasileiras, também estão parados na fronteira.

– Obviamente, teremos grandes prejuízos porque esta espera significa um pagamento adicional aos motoristas, além de multas que podemos ter por entregar os produtos fora do tempo combinado – disse o representante da Capeco, Carlos Rendano.

A Ciudad del Este é um dos principais pontos de troca de mercadorias com o Brasil, que é o principal parceiro comercial do Paraguai no Mercosul.

O protesto teve apoio das autoridades regionais.

Os controles aduaneiros no Brasil costumam aumentar nessa época do ano, com a proximidade das festas. Autoridades de Ciudad del Este disseram que por causa disso as inspeções provocavam filas de até 15 Km na ponte.

Cerca de 2000 comerciantes, ambulantes e taxistas da cidade se manifestaram nas imediações da ponte, pela qual passam 30 mil pessoas diariamente.

A Ciudad del Este é considerada um centro do comércio informal e se baseou durante anos em um sistema de triangulação de mercadorias, hoje em decadência. Os produtos ingressavam por contrabando no território paraguaio e eram levados, também de forma clandestina, para os países vizinhos.

Os turistas brasileiros podem gastar até 150 dólares em compras na cidade paraguaia, mas muitos deles são na verdade contrabandistas de pequeno porte, ou “sacoleiros”, que passam as mercadorias a pé, sem pagar impostos.