Protestos contra o governo terminam em violência no Chile

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Publicado terça-feira, 5 de novembro de 2019 as 10:04, por: CdB

Dezenas de milhares foram às ruas em “supersegunda” contra a política social e para pedir a renúncia do presidente chileno. Confrontos, vandalismo e saques foram registrados na capital e em outras cidades do país.

Por Redação, com DW e Reuters – de Santiago

Dezenas de milhares de pessoas voltaram a protestar na segunda-feira no Chile contra a política social do governo. Na capital, Santiago, foram registrados confrontos após uma manifestação pacífica.

Manifestantes enfrentaram forças policiais com pedras e coquetéis molotov
Manifestantes enfrentaram forças policiais com pedras e coquetéis molotov

Ativistas mascarados jogaram pedras e coquetéis molotov contra a polícia, que respondeu disparando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os manifestantes também colocaram fogo em barricadas nas ruas da capital.

O protesto foi convocado pelo grupo Unidade Social, que inclui 70 organizações sindicais e sociais, sob o tema “Superlunes” (supersegunda). Até a madrugada, carros promoviam buzinaço e manifestantes batiam em panelas.

Segundo a mídia chilena, também foram registrados casos de vandalismo e saques de lojas em cidades como Viña del Mar, Valparaíso e Concepción.

Desde 17 de outubro, o Chile é palco da maior onda de insatisfação social desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990. As manifestações já deixaram um saldo de 20 mortos, segundo números oficiais, seis deles estrangeiros.

Conforme dados divulgados nesta segunda pelo Instituto Nacional dos Direitos Humanos (INDH) do Chile, ao menos 1.659 pessoas ficaram feridas e 4.364 foram presas no âmbito dos protestos.

Reivindicações

Entre as principais reivindicações dos manifestantes estão reformas no sistema previdenciário, na Constituição, assim como melhorias no sistema de saúde e de educação. Muitos também pedem a renúncia do presidente chileno, Sebastián Piñera.

A guatemalteca Rigoberta Menchú, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1992, disse, durante visita ao Chile, estar preocupada com a violência das forças de segurança. Ela reclamou que “mais de 400 pessoas foram detidas ilegalmente”.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, enviou uma equipe de especialistas ao Chile para investigar acusações de violência policial.

Os protestos começaram como uma reação ao aumento do preço das tarifas de metrô em Santiago, mas continuaram como manifestações contra o governo mesmo após o cancelamento da medida. O descontentamento da população com o aumento constante do custo de vida já era latente há tempos.

Piñera anunciou reformas sociais, mas muitos consideram as medidas insuficientes. Mesmo uma reforma ministerial não conseguiu dar fim aos protestos.

Os distúrbios levaram o governo chileno a desistir de organizar e sediar o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) e também a Conferência do Clima da ONU (COP-25), transferida para Madri .

Piñera afirma que concluirá mandato

O presidente chileno, Sebastián Piñera, afirmou que chegará ao final de seu mandato em 2022 apesar dos protestos sociais intensos que abalam o país sul-americano há mais de duas semanas, em declarações feitas ao canal BBC.

A hashtag #RenunciaPiñera se popularizou em muitas das manifestações, que deixaram ao menos 18 mortos e milhares de detidos, e partidos de esquerda afirmam que tentarão afastá-lo politicamente.

– É claro que chegarei ao fim de meu governo. Fui eleito democraticamente por uma enorme maioria de chilenos, e tenho um dever e compromisso com esses que me elegeram e com todos os chilenos – disse o mandatário na entrevista à televisão britânica.

Opositores acusam Piñera e seu ex-ministro do Interior, Andrés Chadwick, de serem responsáveis por violações sistemáticas dos direitos humanos durante os protestos, e em especial por terem declarado um estado de emergência que levou forças militares às ruas.

A “Acusação Constitucional” contra o líder de centro-direita visa tirá-lo do posto, e o proibiria de ocupar cargos públicos durante cinco anos.

– Estou absolutamente seguro de que nenhum deste tipo de acusação vai prosperar porque a solução na democracia é respeitar as regras – acrescentou.

Depois de ser aprovada pelos deputados, uma acusação contra o presidente necessitaria da aprovação de dois terços do Senado.

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