Protestos contra lei de cidadania se espalham por universidades na Índia

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Publicado segunda-feira, 16 de dezembro de 2019 as 09:54, por: CdB

A revolta contra o governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi atiçada por alegações de brutalidade policial na universidade Jamia Millia Islamia.

Por Redação, com Reuters – de Nova Délhi

Protestos contra uma nova lei de cidadania da Índia baseada na religião se espalharam por universidades nesta segunda-feira, e críticos disseram que o governo hindu nacionalista está tentando impor uma pauta partidária que se choca com a fundação do país como república secular.

Estudantes da Darul Uloom Nadwatul Ulama são impedidos pela polícia da Índia de sair durante protesto contra lei da cidadania, em Lucknow
Estudantes da Darul Uloom Nadwatul Ulama são impedidos pela polícia da Índia de sair durante protesto contra lei da cidadania, em Lucknow

Estudantes lançaram pedras contra policiais que trancaram os portões de uma universidade da cidade de Lucknow, no norte indiano, para tentar impedi-los de ir às ruas. Cerca de duas dezenas de alunos de outra universidade da cidade escaparam para protestar.

A revolta contra o governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi atiçada por alegações de brutalidade policial na universidade Jamia Millia Islamia, no domingo, quando policiais entraram no campus da capital Nova Délhi e dispararam gás lacrimogêneo para interromper um protesto. Ao menos 100 pessoas ficaram feridas.

Houve cenas semelhantes na universidade muçulmana Aligarh, de Uttar Pradesh, Estado do norte do país em que a polícia também se chocou com manifestantes.

Protestos

Segundo a lei aprovada pelo Parlamento na semana passada, minorias religiosa, como hindus e cristãos, dos vizinhos majoritariamente muçulmanos Bangladesh, Paquistão e Afeganistão que se estabeleceram na Índia antes de 2015 poderão pleitear cidadania por enfrentarem perseguição nestes países.

Críticos afirmam que a lei, que não oferece a mesma proteção para muçulmanos, enfraquece os fundamentos seculares indianos.

O diretor da Jamia Millia exigiu que se investigue como a polícia conseguiu entrar no campus. “Não é de se esperar que a polícia entre na universidade e espanque os estudantes”, disse Najma Akhtar em uma coletiva de imprensa.

Estudantes disseram que a polícia disparou gás lacrimogêneo e que janelas da biblioteca foram quebradas. Eles se protegeram debaixo das carteiras e apagaram as luzes a conselho dos professores.

Centenas de pessoas se reuniram diante da sede da polícia de Nova Délhi para protestar contra a suposta brutalidade policial e a detenção de alunos. A polícia disse ter agido com moderação.

Rahul Gandhi, líder do Congresso, o principal partido da oposição, disse que o governo Modi está dividindo a sociedade indiana por meio da lei de cidadania e que planeja lançar um registro nacional de cidadania.

Armas

– A melhor defesa contra estas armas sujas é a satyagraha pacífica e não violenta – disse ele em um tuíte, referindo-se à estratégia de resistência política passiva defendida pelo líder da independência Mahatma Gandhi.

O governista Partido Bharatiya Janata, do premiê Modi, nega qualquer viés religioso. Segundo ele, a nova lei visa ajudar os grupos minoritários que enfrentam perseguição nos três países muçulmanos próximos.

Modi disse que a lei foi aprovada pelo Parlamento e não há como voltar atrás. Ele disse em uma manifestação no domingo que a decisão está “1000% correta”.

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