Protestos de rua elevam tom pela abertura do impeachment contra o presidente

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Publicado terça-feira, 26 de janeiro de 2021 as 14:23, por: CdB

Ao pressionarem o jogo político pela abertura do processo, as mobilizações miram também, seja direta ou indiretamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A Casa é a responsável pela instauração de processos de impeachment.

Por Redação, com BdF – de São Paulo

O coro dos protestos de rua em favor do impeachment do presidente Jair Bolsonaro no último fim de semana no país aumentou a esperança dos atores sociais que hoje travam a batalha pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. É o que afirma o militante Leidiano Farias, uma das lideranças da Frente Brasil Popular (FBP), que reúne dezenas de organizações do campo progressista.

Presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem feito duras críticas ao comportamento do ministro da Economia, Paulo Guedes
Presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem sido pressionado a abrir o processo de impeachment contra Bolsonaro (sem partido)

— Tem um potencial, uma tendência nas manifestações das ruas que, sem dúvida, será explorada pelas forças populares a partir disso — pontua o dirigente, ao mencionar os protestos articulados por grupos de esquerda e também de direita que atraíram os holofotes no sábado e no domingo. Novas mobilizações já começam a ser articuladas para os próximos dias ou semanas.

Ao pressionarem o jogo político pela abertura do processo, as mobilizações miram também, seja direta ou indiretamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A Casa é a responsável pela instauração de processos de impeachment e ele o único a ter a prerrogativa de desempoeirar os mais de 60 pedidos que estão na gaveta para fazê-los tramitar.

Pressão

O parlamentar, apesar disso, tem se mostrado irredutível em relação ao tema e diz que não irá liberar os pedidos para uma avaliação na Casa. Enquanto isso, tenta distrair os opositores ao mesmo tempo em que mergulha nas articulações políticas deste final de mandato, marcado para encerrar na próxima segunda-feira, quando será eleito um sucessor.

Apesar da resistência, a oposição diz não ter desistido de alimentar o clima de ebulição sobre Maia até o final desta semana. É o que afirma, por exemplo, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ).

— A gente tem que pressionar quem precisa ser pressionado. Enquanto ele estiver na cadeira de presidente, a responsabilidade por receber e processar um pedido de impeachment é dele, então, nada de fazer cafuné ou massagem no Maia. Ele tem que ser pressionado — acrescentou.

Placar

Entre analistas políticos e deputados, é consenso a identificação de que a Casa ainda conta com uma configuração de forças favorável a Bolsonaro. O chamado Placar do Impeachment, uma conta do perfil ‘SOS Impeachment’ no Twitter que contabiliza os votos de parlamentares que já se manifestaram sobre o tema, registra atualmente 111 posicionamentos favoráveis ao processo e 76 contrários. Outros 326 deputados ainda não se manifestaram publicamente sobre o assunto.

No entanto, a partir de agora, as vozes de fora da oposição que simpatizam com a ideia de impedimento do presidente começam a ser mapeadas de forma mais nítida. Ao todo, quatro partidos desse espectro têm hoje algum membro favorável a um sinal verde da Câmara para os pedidos que colocam o cargo de Bolsonaro na berlinda. São eles PSDB (2), DEM (1), Podemos (1) e PSL (3), segundo o monitoramento virtual.

Para tentar ganhar novos apoios à pauta, a oposição conta, entre outras coisas, com um maior corpo a corpo junto às bancadas e defende uma eventual retomada das atividades do Congresso ainda esta semana, o que anteciparia o fim do recesso parlamentar.

As igrejas

Além do apoio à direita, líderes evangélicos e católicos também apresentaram à Câmara dos Deputados, nesta manhã, mais um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro. O documento é assinado por líderes cristãos de diversas denominações. Na lista estão padres católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e também pastores de denominações evangélicas.

Embora sem o apoio formal das igrejas, o grupo tem o respaldo de organizações como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e a Aliança de Batistas do Brasil.

O bispo primaz da Igreja Anglicana do Brasil, Naudal Alves Gomes, a presidente da Aliança de Batistas do Brasil, Nívia Souza Dias, e os teólogos Lusmarina Campos Garcia, Leonardo Boff e Frei Betto também estão entre os signatários da ação. Um dos argumentos centrais do pedido é negligência na condução da pandemia de covid-19.