PSL quer que Flavio Bolsonaro devolva dinheiro pago a advogado suspeito

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Publicado quarta-feira, 20 de maio de 2020 as 15:07, por: CdB

O advogado Vitor Granado recebeu os recursos durante 13 meses e meio de contrato para serviços jurídicos ao PSL do Rio, então comandado por Flávio Bolsonaro. O custo aos cofres públicos foi de ao menos R$ 500 mil. Segundo o empresário Paulo Marinho, Granado teria recebido informações de um delegado da PF sobre uma operação a ser deflagrada.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Vice-presidente do PSL, o deputado federal Júnior Bozzella (SP) anunciou, nesta quarta-feira, que o partido cobrará do senador Flávio Bolsonaro (ex-PSL, atualmente no Republicanos-RJ) a devolução de cerca de R$ 500 mil dos recursos do fundo público destinado ao patrocínio eleitoral. O dinheiro foi pago ao escritório de advocacia do ex-assessor Victor Granado Alves, envolvido no suposto vazamento de informações da Polícia Federal (PF), em benefício da eleição de Jair Bolsonaro (sem partido).

Sócio do escritório de advocacia Granado Advogados Associados, Alves recebeu os recursos em 2019.

Assessoria

Flávio Bolsonaro foi eleito, no Rio de Janeiro, para o Senado
Apesar da investigação em curso, Flávio Bolsonaro foi eleito, no Rio de Janeiro, para o Senado

Granado recebeu os recursos durante 13 meses e meio de contrato para serviços jurídicos ao PSL do Rio, então comandado por Flávio Bolsonaro. O custo aos cofres públicos foi de ao menos R$ 500 mil. Segundo o empresário Paulo Marinho, suplente de senador na chapa com Flávio Bolsonaro, Victor Granado teria recebido de um delegado da Polícia Federal a informação de que uma operação da PF envolveria pessoas do gabinete do parlamentar. 

A defesa de Granado explica que o contrato “firmado pelo Diretório Nacional tinha como objeto regularizar a prestação de contas do diretório regional do Estado do Rio de Janeiro, bem como, prestar assessoria jurídica para os 92 diretórios municipais do partido”. O PSL nacional, no entanto, contesta o argumento e afirma que o diretório do Rio não estava apto, juridicamente, para receber dinheiro do fundo partidário, única razão pela qual o contrato foi feito pela executiva nacional do partido.

“O PSL concedeu ao então presidente do diretório do RJ, senador Flávio Bolsonaro, a prerrogativa da seleção e fiscalização dos prestadores de serviços para atuar na regularização dos diretórios municipais no estado, assim como ocorre com todos os demais diretórios estaduais”, diz a nota.

‘Rachadinha’

O PSL acrescenta ser “torpe a tentativa da defesa de Flávio Bolsonaro de redirecionar as acusações ao seu cliente, por uso ilegal de recursos públicos, para o diretório nacional do partido, que só efetuou a contratação porque o diretório estadual do RJ não se encontrava apto a receber recursos para fazê-lo diretamente”.

Ainda nesta quarta-feira, uma aeronave da PF partiu rumo ao Rio de Janeiro, segundo informação vazada a um site de ultradireita, que prevê a possibilidade de a corporação iniciar uma operação vultuosa, no Estado. A aeronave (um Embraer 145), com capacidade para até 50 pessoas, costuma ser usada em grandes ações da PF e na transferência de presos considerados com alto nível de perigo por autoridades.

Marinho confirmou, em depoimento prestado nesta tarde, que o advogado Victor Granado recebeu de um delegado federal a informação de que uma operação da PF envolveria pessoas do gabinete do parlamentar. O vazamento de informação teria o objetivo de proteger a família de Bolsonaro acerca das investigações sobre o esquema de corrupção conhecido como ‘rachadinha’, quando era deputado estadual.

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