PSL deve propor saída de Eduardo Bolsonaro da presidência do diretório de SP

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Publicado terça-feira, 22 de outubro de 2019 as 12:15, por: CdB

Eduardo assumiu o diretório de São Paulo no início de junho, no lugar do senador Major Olimpio, líder do PSL no Senado.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

O PSL vai retomar a suspensão de parlamentares do grupo alinhado com o presidente Jair Bolsonaro e deve propor a saída de Eduardo Bolsonaro da presidência do diretório estadual de São Paulo, disse nesta terça-feira o líder do partido no Senado, Major Olimpio, ao chegar para reunião da Executiva do partido.

Em outra face da retaliação ao grupo bolsonarista, a Executiva deve propor a retirada de Eduardo da presidência do PSL em São Paulo
Em outra face da retaliação ao grupo bolsonarista, a Executiva deve propor a retirada de Eduardo da presidência do PSL em São Paulo

– Na primeira etapa é suspensão. A expulsão é etapa seguinte – disse o senador, acrescentando que os deputados podem até mesmo perder o mandato e serem substituídos por suplentes.

– O problema é o seguinte: muita gente acha que porque tem mandato parlamentar tem salvo-conduto. Pensa que é igual ministro do STF, que pensa que não são fiscalizáveis. Alguns feriram cláusulas partidárias de forma séria, atacando a instituição partidária, alguns integrantes. Isso pode demandar representações – afirmou.

Na sexta-feira, a Executiva do PSL decidira pela suspensão de cinco parlamentares do grupo bolsonarista —Carla Zambelly (SP), Carlos Jordy (RJ), Alê Silva (MG), Filipe Barros (PR) e Bibo Nunes (RS)— e abrir uma representação no Conselho de Ética contra Daniel Silveira (RJ), que gravou uma reunião interna do partido, em meio a uma guerra interna para determinar o líder da legenda na Câmara. A disputa se concentrou nos nomes de Eduardo Bolsonaro e do então líder da sigla, Delegado Waldir (GO).

Em uma demonstração de boa vontade depois de uma conversa entre o presidente do PSL, Luciano Bivar, com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, na segunda-feira, em que ambos combinaram tentar encontrar um terceiro nome para a liderança do partido na Câmara, Bivar decidiu revogar a suspensão.

No entanto, depois de o grupo bolsonarista apresentar uma nova lista indicando Eduardo para a liderança no lugar de Waldir, inclusive com a assinatura dos cinco deputados que seriam suspensos, a guerra foi novamente aberta no partido.

O PSL deve inclusive aumentar o número de parlamentares suspensos, o que pode incluir o próprio Eduardo —que, ao assumir a liderança na segunda-feira, apesar de falar em diálogo, destituiu todos os vice-líderes do partido ligados a Bivar.

Em outra face da retaliação ao grupo bolsonarista, a Executiva deve propor a retirada de Eduardo da presidência do PSL em São Paulo.

– O mandato dele como presidente estadual termina em 31 de dezembro. Eu vou defender que se resolva essa questão já. Porque o que eles não destruíram até agora vão destruir. O partido teve já mais de uma centena de executivas municipais que foram arrancadas no rancor, no ódio, sem fazer uma avaliação mínima. O partido está uma verdadeira terra arrasada – afirmou Olimpio.

Eduardo assumiu o diretório de São Paulo no início de junho, no lugar de Olimpio. O senador diz não querer o cargo de volta, mas que é preciso mudar o diretório já.

– Do jeito que está é terra arrasada, está nas mãos de gente que não quer construir o partido. Eu vou defender sim que tenha uma solução, seja com intervenção da nacional lá, seja com substituição direta. Já esgarçou a possibilidade de se administrar o partido com o Eduardo e as pessoas que ele colocou lá – disse.

Olimpio, como outros membros do partido que abriram guerra com o clã Bolsonaro, afirmam que Eduardo não tem liderança e criticam duramente a intervenção do presidente na disputado pelo cargo de líder do partido na Câmara.

– Foi uma questão que acabou ampliando justamente por falta de estratégia política do próprio Palácio do Planalto. Entraram numa disputa interna do partido e envolveram até o próprio presidente. Foi péssimo, foi horrível e o pior da história, gerou uma derrota não para o Eduardo, mas para o próprio planalto, para o próprio presidente – avaliou o senador, que, ainda assim, diz defender que Bolsonaro continue no PSL e diz que ele é o “ícone maior” do partido.

O ex-líder Waldir também criticou a postura do presidente.

– É muito amargo, quando você agride o Parlamento, você é o Executivo e agride o Parlamento para assumir uma liderança. Acho que isso não é uma vitória – disse ex-líder da bancada, Delegado Waldir, a jornalistas.

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