PT nega apoio a Lira, mas atrasa planos de Maia pela sucessão

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Publicado quinta-feira, 17 de dezembro de 2020 as 14:19, por: CdB

Maia, no entanto, corre para fechar um entendimento ainda que inicial, com os petistas, para evitar que a legenda lance candidatura própria e, assim, enfraqueça o bloco de centro-direita formado com os partidos que não aderiram ao ‘Centrão’, comandado por Lira.

Por Redação – de Brasília

Os parlamentares da bancada petista divulgaram, na manhã desta quinta-feira, a decisão de não apoiar, em qualquer circunstância, a candidatura bolsonarista de Arthur Lira (PP-AL) pela presidência da Câmara dos Deputados. Legenda com maior bancada da Casa, no entanto, o PT ainda quer ampliar o diálogo com o bloco do atual presidente, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), antes de se decidir por um nome à sucessão da Mesa Diretora.

O ex-prefeito Washington Quaquá defendeu o apoio ao bloco de Lira, na Câmara
O ex-prefeito Washington Quaquá defendeu o apoio ao bloco de Lira, na Câmara

Maia, no entanto, corre para fechar um entendimento ainda que inicial, com os petistas, para evitar que a legenda lance candidatura própria e, assim, enfraqueça o bloco de centro-direita formado com os partidos que não aderiram ao ‘Centrão’, comandado por Lira. Junto com o PT, a oposição conta com 133 votos e funciona como uma espécie de pêndulo para a definição do terceiro nome na escala de comando do país.

A tendência atual, no entanto, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil junto a parlamentares de ambos os lados, que falaram em condição de anonimato, é de apoio às propostas de Maia, uma vez que haveria a formação de um número inicial de votantes na ordem de 250 deputados, muito próximo aos 270 suficientes para vencer a eleição. Maia, no entanto, encontra dificuldades para emplacar emplacar o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Pesa o fato dele não contar sequer com o apoio de seu pares, que já garantiram apoio a Lira.

Outro nome apontado como possível sucessor, o deputado Baleia Rossei (MDB-SP) também não obteve o aval dos aliados, embora seja mais palatável ao PT do que Ribeiro, segundo as fontes ouvidas.

Quaquá

Diante da sugestão do presidente do PT fluminense, o ex-prefeito de Maricá Washington Siqueira, o Quaquá, de levar o apoio petista ao líder do ‘Centrão’, a presidente nacional da legenda, deputada Gleisi Hoffmann, assumiu uma posição mais clara quanto à pauta e negou que o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiará o candidato de Jair Bolsonaro (sem partido) ao comando da Casa.

“O PT não comporá bloco para a mesa da Câmara com candidatura apoiada por Bolsonaro. Junto com a oposição, construirá alternativa de bloco em defesa da democracia e uma candidatura que represente e debata um programa e uma agenda para derrotar Bolsonaro e tirar o país da crise”, afirmou Hoffmann, em uma rede social. 

Hoffmann negocia, internamente, para que o partido defina, o quanto antes, se estará, ou não, ao lado de Maia. A bancada, no entanto, permanecia dividida até esta tarde. Na noite anterior, houve o impasse na votação quanto ao prazo, quando 18 integrantes da reunião votaram a favor e outros 18 contra a proposta da líder petista.

PT de Lira

O único consenso foi a derrubada da sugestão de Quaquá. Os parlamentares voltarão a se reunir, nos próximos dias, para definir, então, se haverá o apoio a Rodrigo Maia. Há, ainda, sobre a mesa de negociações, a proposta de o PT, junto com os demais partidos da oposição, lançar um candidato próprio. Caso a legenda resolva se unir ao bloco de Maia, o nome a ser defendido também poderá ser apresentado.

Nesta sexta-feira, os presidentes dos partidos de oposição marcaram uma reunião para encaminhar a pauta. Alguns deles, como PDT e PCdoB, já sinalizaram apoio ao bloco de Maia. PSB, Rede e PV também integram essa corrente. Já o PSOL, que tende a lançar candidato próprio para marcar posição, disse que decidirá sobre o assunto, em breve.

Maia, no entanto, acredita que uma parcela dos parlamentares petistas que defende o lançamento de um candidato próprio trabalha, na verdade, pela candidatura de seu oponente. 

— Se um partido de esquerda diz que não apoiará o candidato do governo, aí o movimento do candidato do governo qual é? É tentar estimular, dentro daquele partido, uma candidatura de esquerda. Então, quem estimula hoje uma candidatura de esquerda é o governo — afirmou Maia, a jornalistas.

No Senado

Partido com a maior bancada do Senado, o MDB insistirá na regra da proporcionalidade e não abrirá mão de disputar a presidência da Casa, afirmou a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senadora Simone Tebet (MDB-MS), que já colocou sua postulação ao cargo.

Outros integrantes da legenda, como o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PE), o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (TO), e o próprio líder do partido na Casa, Eduardo Braga (AM), também são cotados como possíveis candidatos da bancada, que se reuniu nesta quarta-feira. Será candidato aquele com maior viabilidade entre as outras bancadas.

— Diferentemente do passado, o MDB não vai rachar e marcha unido na disputa pela presidência. É agora que o jogo começa. O MDB hoje tem consciência de que o adversário não está dentro do partido e precisa buscar os votos fora — resumiu a senadora, acrescentando que não há um prazo para a definição de um nome a ser apoiado por toda a bancada.