‘Ao PT, PCdoB, PSOL, PCO e PSB’, escreve o jornalista Fábio Lau em mensagem à esquerda

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Publicado sexta-feira, 9 de abril de 2021 as 18:11, por: CdB

“Freixo, ameaçado pela milícia, responsável pela CPI que apontou o pai de Doutor Jairinho como um perigoso miliciano, deveria ser o puxador desta reação política e social para demolir os muros construídos em torno daquele território minado”, escreve o editor Fábio Lau, em um recado às forças progressistas da sociedade.

Por Fábio Lau – do Rio de Janeiro

Doutor Jairinho foi eleito com a força da milícia em um reduto onde a esquerda não entra. 

O miliciano era ex-policial militar e foi homenageado duas vezes com medalhas
Muitos milicianos eram policiais militares e um dos maiores líderes do movimento criminoso foi homenageado com medalhas do Legislativo

A militância teme colocar os pés e distribuir panfletos naquele território minado do Rio de Janeiro. 

Isso protege o militante, mas relega moradores à própria sorte. 

O caso Henry é uma tragédia que não pode ficar impune – e a impunidade não será cessada apenas com a prisão e condenação dos assassinos. 

A influência dos criminosos milicianos na região, a imunidade local e a impunidade daquele grupo criminoso, hoje associado ao tráfico e com fortes tentáculos no estado, precisam ser minados também. 

Milícia

Os partidos de esquerda permanecem calados diante desta tragédia de uma criança, como se a história fosse de caráter privado, é refletem a covardia com que ela, a esquerda, passou a lidar, há décadas, com o tema “violência”. 

Como se o assunto fosse menor, não filosófico, não frequentasse a meio acadêmicos, portanto. E o cidadão que lá reside tivesse opção de não votar em candidatos da milícia. 

Não tem. E involuntariamente contribui financeiramente com a milícia que ajudará na campanha de seus representantes.  Compra e paga por água, gás, internet, TV a cabo, transporte e segurança.

Lembremos que Jairinho gastou oficialmente R$ 1,5 mi na sua campanha para obter 16 mil votos – gastou o equivalente a R$ 100 por cada voto. Quantos parlamentares conseguem tanto recurso?

Ele, em quatro anos, arrecadaria a metade em proventos – pouco mais de R$ 860 mil.

Jairinho

Impressiona que nenhum partido de esquerda tenha emitido uma nota para defender a investigação séria do esquema miliciano, radicado na Zona Oeste mas irradiado por toda a cidade. 

Houve ação isoladas e corajosas, como a do vereador Chico Alencar, e nada mais.

Freixo, ameaçado pela milícia, responsável pela CPI que apontou o pai de Doutor Jairinho como um perigoso miliciano, deveria ser o puxador desta reação política e social para demolir os muros construídos em torno daquele território minado. 

Muros que protegem o crime e aqueles que crescem financeiramente a partir dele.  E não só negócios do mundo terreno, sabemos.

A esquerda precisa deixar a covardia e inércia e passar a falar a língua do cidadão. 

Parar de pensar apenas em reeleição de seus quadros e uma eventual ampliação e falar em nome de quem precisa. 

Precisa ser a corrente política que de fato precisaria ser para justificar a razão de existir.

Seu encolhimento neste momento é gritante.

Covardes

Marielle foi morta pela milícia e nem mesmo este registro parece comover ao afeitos exclusivamente a eventos públicos, no centro da cidade, onde fazem selfies, ostentam camisetas com dizeres engajados, mas fogem da luta real real.

Não é do Leblon que se derrubará a milícia da Zona Oeste.

Reeleição de parlamentares covardes também não ajudará em nada.

Se a esquerda não acordar quem o fará é o eleitor. 

Se liga!

Fábio Lau é jornalista, editor do site de notícias Conexão Jornalismo.