PT e PSDB iniciam conversa estratégica para deter Bolsonaro

Arquivado em: Brasil
Publicado segunda-feira, 22 de março de 2021 as 16:57, por: CdB

Interlocutores do Palácio dos Bandeirantes – sede do governo paulista – falam em um “pacto de não agressão”, enquanto lideranças dos dois partidos até admitem estar juntos no segundo turno da eleição presidencial de 2022, a depender de quem disputar a rodada decisiva.

Por Redação – de São Paulo

Adversários figadais nas urnas, desde os idos de 1990, o PT e o PSDB selaram um cessar-fogo. As legendas de centro-esquerda e centro-direita alinham-se, pela primeira vez, em várias frentes contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A principal delas é o Fórum dos Governadores, onde tucanos e petistas têm se apoiado mutuamente e até trocado elogios.

O governador da Bahia, Rui Costa, recusou o convite para a inauguração de um aeroporto
O governador da Bahia, Rui Costa, tem tentado uma aproximação entre o PT e os tucanos

Eleito em São Paulo com um forte discurso antipetista, o tucano João Doria abriu mão do protagonismo e passou a defender a escolha do governador Wellington Dias (PT), do Piauí, como coordenador das discussões sobre vacinas contra covid no Fórum de Governadores.

Em lugar das ‘frentes amplas’, alianças locais moldam articulações para eleições de 2022 entre petistas e tucanos.

Interlocutores do Palácio dos Bandeirantes – sede do governo paulista – falam em um “pacto de não agressão”, enquanto lideranças dos dois partidos até admitem estar juntos no segundo turno da eleição presidencial de 2022, a depender de quem disputar a rodada decisiva.

Coronavírus

O diálogo entre os governadores tem sido mais fluida, principalmente depois que o governo Bolsonaro ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação de inconstitucionalidade para tentar derrubar os decretos de restrição de locomoção de pessoas adotados pelos governadores do Distrito Federal, da Bahia e do Rio Grande do Sul, no combate ao coronavírus. De ambas as partes, PT e PSDB pensam agora em reunir os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso, que vê com entusiasmo a iniciativa.

— Da minha parte estou aberto a conversar. É necessário. Na minha concepção, é preciso definir quem é o inimigo principal. Se é o Bolsonaro, como a gente ganha dele? E ganhar para fazer o quê? Essas são as duas questões postas — disse FHC ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP), nesta segunda-feira.

Entre os negociadores do PT, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), tenta que seu partido estabeleça diálogos com as legendas do centro para a disputa presidencial de 2022 e prega a aproximação com o PSDB. Alinhado com Wellington Dias, Costa quer abrir um canal de diálogo de Lula até com Doria.

— Se depender de mim, vamos trabalhar para isso. Sou a favor de que a gente coloque o Brasil acima das nossas divergências políticas secundárias. Estamos tratando de um projeto de salvação nacional. A lógica da disputa da eleição no Brasil será semelhante à dos Estados Unidos. É a democracia contra a barbárie e o ódio. A sociedade do bem vai prevalecer contra a lógica miliciana de condução do país — disse Costa, a jornalistas.

Gravidade

Rui Costa também derramou elogios ao tucano.

— Quero prestar toda solidariedade ao Doria. Ele é um dos governadores que têm sofrido ataques sistemáticos do governo federal. Doria tem se esforçado para reduzir o número de óbitos. Justiça seja feita: não fosse a iniciativa do governo de São Paulo e do Instituto Butantan, 80% das pessoas que receberam a vacina não estariam hoje vacinadas — destacou.

Na outra margem, líderes tucanos ligados a Doria apoiam o discurso de união contra a pandemia. 

— Em tempos de crise sanitária e institucional com o governo Bolsonaro de tamanha gravidade, é fundamental que deixemos a política em segundo plano. Não é momento de agressão, mas de trabalho conjunto — resumiu Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional de São Paulo e presidente do PSDB paulista.