Qatar libera uso de biquíni por atletas de vôlei de praia

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Publicado quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021 as 11:05, por: CdB

Recuo vem após estrelas alemãs anunciaram boicote ao campeonato mundial que ocorre no país em março. Qatar havia exigido que jogadoras usassem camisetas e shorts compridos.

Por Redação, com DW – de Doha

O governo do Qatar voltou atrás da exigência de que as jogadoras de vôlei de praia do próximo campeonato mundial, que será realizado no país no próximo mês, usassem camisetas e shorts até o joelho durante as partidas e liberou o uso de biquínis, uniforme tradicional na categoria feminina do esporte.

Borger e Sude afirmaram que regras a impediam de usar seu “uniforme de trabalho”

O anúncio foi feito na quarta-feira pelo órgão do governo local para o esporte, quatro dias após as estrelas alemãs do vôlei de praia Karla Borger e Julia Sude terem anunciado que não participariam da competição por causa das restrições de vestimenta.

Na segunda-feira, a associação de vôlei do Qatar afirmou que não havia feito nenhuma exigência a respeito do que as atletas deveriam vestir durante as partidas, mas o empresário de Borger e Sude, Constantin Adam, reagiu dizendo que a alegação “não era verdadeira”.

As normas da competição, disponíveis no site do evento, pediam que as esportistas usassem “uma camiseta de manga curta (…) e shorts esportivos que chegassem ao joelho”. Essa regra foi alterada na terça-feira. O evento ocorrerá de 8 a 12 de março, na capital Doha.

A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) afirmou que a associação do esporte no Qatar garantiu que “não haveria restrições para que as jogadoras usassem seus uniformes tradicionais”. “A FIVB acredita que o vôlei de praia feminino, como qualquer esporte, deve ser avaliado conforme a performance e o esforço, e não o uniforme”, disse a instituição.

No último sábado, Borger e Sude declararam que não aceitariam as regras impostas para a competição no Qatar. “Isso não se refere a usarmos mais ou menos roupas, mas ao fato de não sermos autorizadas a usar o nosso uniforme de trabalho para fazer o nosso trabalho”, disse Sude à revista alemã Der Spiegel.

Borger, medalhista de prata em campeonatos mundiais, acrescentou que o Qatar já havia feito exceções anteriormente para atletas femininas que competiram no Campeonato Mundial de Atletismo em Doha em 2019. O país também permitiu que jogadoras de vôlei de praia competissem de biquíni durante os Jogos Mundiais de Praia, realizados no Qatar em 2019.

À rádio pública alemã Deutschlandfunk, Borger acrescentou que o calor extremo no Qatar exige o uso de biquínis. Embora não seja tão quente quanto nos meses escaldantes de verão, as temperaturas no Estado do Golfo podem chegar a 30 °C em março.

O treinador da dupla, Thomas Kaczmarek, disse ao jornal alemão Bild que apoiou a decisão “100% e com plena convicção” e afirmou que, além da questão da temperatura, a não participação delas no torneio tinha também uma razão política. “Karla e Julia, como mulheres, não querem se submeter a tais demandas por razões de ideologia.”

Será a primeira vez que o pequeno Estado do Golfo sediará uma competição feminina da FIVB, após ter sido palco do campeonato masculino por sete anos.

Qatar como sede de eventos esportivos

À rádio Deutschlandfunk, Borger questionou se o Qatar seria um país anfitrião adequado. “Estamos questionando se é necessário realizar um torneio lá”, afirmou. “É definitivamente algo que se deve questionar.”

O Qatar tem sediado um número crescente de grandes eventos esportivos nas últimas décadas, embora seu histórico de direitos humanos, a falta de tradição esportiva e o clima extremamente quente o tornem um local controverso.

Calor e umidade foram grandes problemas relatados durante algumas provas do Campeonato Mundial de Atletismo no ano passado. A Copa do Mundo de Futebol de 2022, que ocorrerá no país, foi marcada para novembro e dezembro justamente por conta das altas temperaturas no Qatar em junho e julho, quando o Mundial é normalmente disputado.

Além disso, condições controversas de trabalho para funcionários que constroem os estádios e supostas violações de direitos humanos no Qatar também têm sido objeto de intenso escrutínio antes da Copa do Mundo do próximo ano.