Quantidade de açúcar no sangue poderia determinar comportamento do covid-19, diz pesquisador

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Publicado quarta-feira, 13 de maio de 2020 as 11:27, por: CdB

Um estudo norte-americano procurou encontrar um ponto comum nas mutações do coronavírus, estabelecendo que a hidroxicloroquina poderia controlar o nível de açúcar e o comportamento do SARS-CoV-2.

Por Redação, com Sputnik – de Nova York

Um estudo norte-americano procurou encontrar um ponto comum nas mutações do coronavírus, estabelecendo que a hidroxicloroquina poderia controlar o nível de açúcar e o comportamento do SARS-CoV-2.

Um estudo norte-americano procurou encontrar um ponto comum nas mutações do coronavírus
Um estudo norte-americano procurou encontrar um ponto comum nas mutações do coronavírus

Existe uma ligação entre a alta taxa de açúcar no sangue em pacientes e a gravidade da doença, afirma um estudo de um cientista da Universidade de Pittsburgh, EUA.

– Muitos médicos notaram que pessoas com altos níveis de açúcar no sangue, não apenas aqueles com histórico de diabetes, mas também com novos diabetes desconhecidos, estavam aparecendo no hospital com o novo coronavírus – explica Adam Brufsky, professor de Medicina na instituição de ensino, ao portal The Conversation.

– Isso me indicou que algo poderia estar acontecendo com a adição de moléculas de açúcar ao vírus, ou ao receptor em que ele se prende para infectar as células, o que influenciou a gravidade da doença.

Durante a disseminação do vírus, tal como em muitos outros, têm se notado frequentes mutações dependendo do local, da população atingida e da época de propagação, com a doença apresentando maior ou menor gravidade.

O pesquisador afirma que, de acordo com experimentos feitos na Universidade da Pensilvânia, EUA, a hidroxicloroquina para tratar o câncer da mama pode servir, entre outras coisas, “como um agente hipoglicemiante oral”, que baixa o açúcar no sangue.

Assim, as diferentes mutações do SARS-CoV-2 poderiam trazer luz ao comportamento do agente infeccioso no corpo anfitrião.

Usando ferramentas mais sofisticadas que nas pandemias anteriores, os cientistas conseguem observar o ácido ribonucleico (RNA) do novo coronavírus quase em tempo real, permitindo observar sua evolução muito detalhadamente.

– O que eu descobri (como muitos outros) quando olhei para esta base de dados foi que parecia haver uma mutação comum nos já bem conhecidos espigões (as proteínas), que cobrem a superfície do vírus – conta.

Estratégia do coronavírus

Brufsky descreve que o vírus tem áreas específicas onde o açúcar é adicionado quando se reproduz nas células, e a mutação poderia aumentar a probabilidade de uma molécula de açúcar ser adicionada a uma dessas áreas.

“Mutações similares em outras proteínas do espigão do coronavírus afetaram a capacidade desses vírus de se fundirem com as células”. Embora ainda esteja por provar a relação causal entre esta mutação e uma maior gravidade da doença, isto pode explicar pelo menos parte da diferença entre a gravidade das infecções em diversas zonas geográficas.

O pesquisador acredita que o coronavírus poderia estar tentando realizar diferentes estratégias para se adaptar ao ambiente.

– Se um vírus é muito agressivo, pode se extinguir muito rapidamente ao hospitalizarmos muitas pessoas e não (podendo) se espalhar (mais). A forma mais benigna do vírus pode se espalhar mais e fornecer mais imunidade. Portanto, o novo coronavírus pode estar perdendo a agressividade enquanto continua se movendo entre nós”.

O professor universitário citou um estudo na China que indica que mudanças na proteína do espigão poderiam estar alterando a agressividade do coronavírus.

O cientista também relata exemplos de que na Costa Leste dos EUA esta mutação parece ser mais comum que na Costa Ocidental, com o SARS-CoV-2 sendo mais severo na primeira. Anteriormente, se chegou à conclusão que os casos de Nova York foram importados da Europa, onde muitos países têm registrado altas taxas de mortalidade.

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