O que restava de credibilidade do governo Bolsonaro se esvai na pandemia

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Publicado sexta-feira, 19 de março de 2021 as 14:14, por: CdB

A deterioração do governo atual fica clara na diferença entre esta e a primeira pesquisa feita após a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), no final de 2018. À época, apenas 9% esperavam piora na economia, e 65% projetavam melhora.

Por Redação – de São Paulo

Com a disparada dos preços, nos supermercados, e a alta dos juros aliada à falta de crédito e a paralisação da economia brasileira, dois em cada três brasileiros percebem que a situação econômica do país tende a piorar, nos próximos meses. Trata-se de marca recorde já registrada, até agora, nas pesquisas do Instituto DataFolha. Segundo o estudo divulgado nesta sexta-feira, em dezembro último, 41% dos brasileiros haviam percebido a realidade. Hoje, são 65%.

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Na medida inversa, houve a queda de 28% para 11% no percentual daqueles que esperam uma melhora no cenário econômico, segundo o estudo realizado nos dias 15 e 16 de março. “O recorde negativo anterior da série de pesquisas com essa pergunta, iniciada em 1997, eram os 60% registrados em março de 2015, durante a recessão iniciada no governo Dilma Rousseff (PT)”, realça o DataFolha.

A deterioração do governo atual fica clara na diferença entre esta e a primeira pesquisa feita após a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), no final de 2018. À época, apenas 9% esperavam piora na economia, e 65% projetavam melhora. O pessimismo é maior entre as mulheres (71%) do que entre os homens (59%); no Sul (68%) e Sudeste e Nordeste (66%) do que no Norte/Centro-Oeste (59%).

Coronavírus

“A expectativa de piora chega a 72% entre os desempregados e a 69% entre os funcionários públicos. Fica em 65% entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos e sobe para 67% entre os com renda superior a dez salários. Atinge 67% entre os que receberam auxílio emergencial em 2020 e cai para 64% entre os que não pediram o benefício”, acrescenta o estudo.

De acordo com o novo estudo, a avaliação do governo Bolsonaro regride proporcionalmente à falta de credibilidade na gestão da pandemia do novo coronavírus. A aceitação do presidente regrediu aos mesmos níveis de maio e junho de 2020, os piores de seu governo, diante dos problemas na gestão da crise sanitária e de seus efeitos na economia.

A edição da pesquisa foi realizada antes de o Banco Central anunciar o primeiro aumento da taxa básica de juros em seis anos e dizer que a Selic deve continuar subindo nos próximos meses, devido ao risco de descontrole inflacionário, apesar da economia ainda fraca.

Vacinação

“O levantamento mostrou que a piora da crise sanitária, com seus efeitos econômicos, afetou diretamente a popularidade de Bolsonaro desde o começo deste ano. As rejeições ao presidente, tanto no aspecto geral quanto no que se refere ao seu manejo da pandemia, estão em níveis recordes: 44% e 54%, respectivamente”, constata o Instituto.

Ainda de acordo com o Datafolha, caiu para 50% o percentual da população que não quer que o Congresso abra um processo de impeachment contra Bolsonaro, enquanto 46% se dizem favoráveis à medida em meio à deterioração da pandemia no país.

Imunizantes

Segundo o estudo, sete em cada dez brasileiros avaliam que a situação econômica do país vai melhorar somente depois de a vacinação contra a covid-19 ser concluída no país. Para 71% dos entrevistados, a economia irá melhorar com o país imunizado. Outros 18% dizem que ficará como está, e 8% avaliam que vai piorar.

Sobre a sua própria situação financeira, 61% dizem que irá melhorar após o fim do programa de imunização, 33% afirmam que ficará como está e 4% avaliam que vai piorar.

O Datafolha também perguntou se, enquanto todos os brasileiros não forem vacinados, a situação econômica do país vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está. Apenas 15% dos brasileiros avaliam que vai melhorar. Outros 39% afirmam que a economia ficará como está, e 43% dizem que irá piorar antes da imunização da população ser concluída.

Auxílio

Entre os brasileiros que receberam alguma parcela do auxílio emergencial, ainda de acordo com a pesquisa, 51% afirmaram ter perda de renda na pesquisa realizada no início de dezembro. Agora, são 58%. Na pesquisa anterior, 14% dos beneficiários apontavam ter tido aumento de renda. Agora, são 12%, oscilação dentro da margem de erro.

Em dezembro, o auxílio tinha garantido a manutenção do nível de renda familiar para 34% dos beneficiados entrevistados. Em janeiro, eram 29% os que estavam com o mesmo nível de renda anterior à pandemia.

Entre todos os brasileiros, incluindo quem recebeu e quem não contou com o auxílio, 47% tiveram perda de renda e 11% registraram aumento, segundo estudo realizado de janeiro. A pesquisa atual ocorreu por telefone e foram ouvidos 2.023 brasileiros em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para baixo ou para cima.

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