Quebra na hierarquia de comando militar amplia crise no governo Temer

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado sábado, 22 de setembro de 2018 as 15:40, por: CdB

Villas Bôas afirmou que o resultado das eleições poderia ser questionado pelas Forças Armadas. Em resposta, o general Luna afirmou que seu comandado não tem autoridade para falar sobre o assunto.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

As frequentes demonstrações de insubordinação do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que chama candidato para conversar em seu gabinete e usa as redes sociais para afrontar a democracia, desta vez, não ficaram sem resposta. Seu superior hierárquico, à frente do Ministério da Defesa, o general Joaquim Silva e Luna confrontou Villas Bôas, publicamente, neste sábado.

À frente do Ministério da Defesa, o general Luna desautorizou seu comandado, general Villas Bôas, a questionar a democracia
À frente do Ministério da Defesa, o general Luna desautorizou seu comandado, general Villas Bôas, a questionar a democracia

Villas Bôas afirmou, em recente entrevista, que o resultado das eleições poderia ser questionado pelas Forças Armadas. Em resposta, o general Luna respondeu à pergunta direta de uma jornalista, acerca da declaração.

Fala muito

De acordo com o ministro do governo de facto, não cabe às Forças Armadas aceitar ou não o resultado das urnas; mas garantir que as instituições funcionem. Ele destacou que “a Bíblia das Forças Armadas é a Constituição Federal” e que não existe risco de os militares não reconhecerem o resultado das eleições.

Inédito na história militar do país, o debate público entre comandante e comandado, nas Forças Armadas brasileiras, deixa claro o nível de desgoverno a que chegou a administração de Michel Temer (MDB). O confronto se agrava, ainda mais, pelo fato de ambos serem generais.

— Não há risco nenhum de as Forças Armadas quererem aceitar ou deixar de aceitar aquilo que é legal ou institucional — disse Luna.

Fato inédito

Ele acrescentou:

— Tem mais é que garantir as instituições funcionando normalmente e, quando solicitadas, garantir a lei e a ordem.

As declarações ocorreram durante entrevista na 15ª Conferência Internacional de Segurança do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.

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