Reabertura de comércio em SP é ‘desconexão com a realidade’, critica infectologista

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Publicado sexta-feira, 29 de maio de 2020 as 13:27, por: CdB

O governador João Doria apresentou um plano de reabertura do comércio em São Paulo, diante da curva ascendente de casos de coronavírus no Estado. Para o médico infectologista Evaldo Stanislau Affonso, a ação é uma “desconexão com a realidade.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

O governador João Doria apresentou um plano de reabertura do comércio em São Paulo, na quarta-feira, diante da curva ascendente de casos de coronavírus no Estado. Para o médico infectologista Evaldo Stanislau Affonso, a ação é uma “desconexão com a realidade.

Baixa adesão ao isolamento social se dá pela falta de políticas sociais e econômicas, na avaliação do especialista
Baixa adesão ao isolamento social se dá pela falta de políticas sociais e econômicas, na avaliação do especialista

No boletim divulgado na quinta-feira, o estado de São Paulo continua como o mais afetado pela pandemia no Brasil, com 95.865 casos confirmados. Os mortos já são 6.980. “A gente está no epicentro da crise, o que torna impossível tomar medidas como a reabertura”, alertou o médico ao jornalista Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual.

Na avaliação do médico, para normalizar a rotina da população é preciso de algumas condições: queda no números de casos, capacidade de testagem e monitoramento de vagas em leitos de hospitais. “Não temos nada disso. É uma loucura. Isso foi concessão do governo do estado para outras ordens que não visavam a saúde”, alertou Evaldo.

A taxa de ocupação de UTIs segue alta em São Paulo, com relativa estabilidade em alguns municípios. Na capital, 92% dos leitos estão ocupados.

– A decisão foi precipitada e é um atestado de incapacidade de estabelecer medidas mais concretas e sérias, como o lockdown. Esse plano é equivocado, principalmente nas grandes metrópoles – acrescentou o médico.

Isolamento social

A baixa adesão ao isolamento social, 48% no estado e 49% na capital, de acordo com dados de quarta-feira, se dá pela falta de políticas sociais e econômicas, na avaliação do especialista. “Não são todos que conseguem, ainda mais com um auxílio menor que o salário mínimo”, criticou.

Ele classifica a pandemia como um “problema biológico” e que não existe um medicamento para combatê-lo. “O isolamento social já é fato que consegue ajudar na prevenção do vírus, mas precisamos de políticas sociais e econômicas que deems egurança ao trabalhador e ao empresário, que assegurem uma renda para ficar em casa. Sem o braço econômico, ninguém vai ficar em casa”, finalizou.

Havan perde na Justiça

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu liminar que autorizava a abertura de lojas da Havan no interior do estado. “Não cabe ao Poder Judiciário interferir no mérito de decisões emanadas pelo Executivo”, decidiu o desembargador Marcelo Semer.

A resposta veio a pedido da prefeitura de Lorena, cidade do Vale do Paraíba que reduziu as atividades econômicas e de serviços para conter a disseminação do novo coronavírus. A filial da rede do empresário Luciano Hang entrou na Justiça para pedir a abertura de sua unidade por meio de uma manobra: ela passaria a vender produtos alimentícios para ser enquadrada como hipermercado, sendo serviço essencial.

Luciano Hang é um dos grandes apoiadores ideológicos e financeiros do bolsonarismo, e despreza as medidas sanitárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para lidar com a pandemia de covid-19. Alinhado com o presidente, Jair Bolsonaro, ele também defende que “preservar a economia” deveria estar à frente das medidas de proteção à saúde pública .

O empresário é alvo de investigação da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal por suspeita de ser financiador de esquema criminoso de disseminação de fake news e discurso de ódio em defesa da ideologia bolsonarista.

A decisão

O município de Lorena argumentou que a manobra da empresa de Hang não correspondia à realidade, já que a Havan é uma loja de departamento, e não figura como serviço essencial. De acordo com o desembargador, alinhado com decisão do STF, fechar lojas de departamento durante a pandemia é de responsabilidade do Executivo local, para “prevenção e conservação da saúde pública”.

– Não há dúvidas, portanto, da legalidade e constitucionalidade da medida – prosseguiu Semer. “Não se mostra inequívoca a despeito da categoria cadastral em que está inserida”, completou sobre a Havan não se enquadrar como hipermercado.

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