Receio de vacina desacelera imunização contra coronavírus na África

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Publicado terça-feira, 4 de maio de 2021 as 12:25, por: CdB

Quando Edith Serem recebeu sua vacina contra covid-19 no mês passado em um hospital de Nairóbi no qual trabalha como médica, enfermeiras alertaram de brincadeira que ela poderia começar a falar em uma língua estrangeira.

Por Redação, com Reuters – de Accra

Quando Edith Serem recebeu sua vacina contra covid-19 no mês passado em um hospital de Nairóbi no qual trabalha como médica, enfermeiras alertaram de brincadeira que ela poderia começar a falar em uma língua estrangeira.

Profissional de saúde recebe vacina contra covid-19 em Accra, Gana

Serem disse que alguns colegas receberam a vacina da AstraZeneca depois de observá-la atentamente durante vários dias para ver se ela estava bem, mas outros se recusaram, ainda receosos de possíveis efeitos colaterais.

Especialistas em saúde temem que o ceticismo público sobre a administração do número relativamente pequeno de doses que países da África lutam para adquirir prolongue uma pandemia que já matou mais de 3,3 milhões de pessoas em todo o mundo.

– Não sou antivacina… meus filhos estão com as vacinações de tudo que existe em dia, mas esta? Não estou confiante – disse um médico do Quênia, que não quis se identificar por não estar autorizado a falar com a mídia.

Fenômeno global

O receio da vacina é um fenômeno global. França e Estados Unidos estão tendo problemas com ele, e o ceticismo está em alta em alguns países asiáticos, como o Japão.

Na África, especialistas em saúde dizem que uma combinação de alertas sobre possíveis coágulos sanguíneos, a depreciação das vacinas por parte de alguns líderes e mensagens confusas sobre datas de validade contribuem para a distribuição lenta em todo o continente.

A covid-19 tampouco assolou os 1,3 bilhão de habitantes da África como fez em alguns países da Europa, no Brasil, nos EUA e na Índia, o que faz com que parte do continente duvide da gravidade da doença.