Reforma da Previdência causa greve na França

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Publicado terça-feira, 13 de maio de 2003 as 08:55, por: CdB

A maioria dos vôos foi cancelada e vários dos principais serviços de trem foram interrompidos na França por causa da greve dos servidores públicos em protesto contra a reforma da previdência proposta pelo primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin.

A greve desta terça-feira também forçou escolas a fechar e deve afetar hospitais e outros órgãos do governo pelo país.

Na Áustria, outra greve, de professores do ensino fundamental, está deixando cerca de um milhão de crianças sem aula.

O protesto também é contra propostas de reforma no sistema de pensões.

A greve de 24 horas na França é vista como a maior confrontação até agora ao primeiro-ministro Raffarin.

O premiê disse que os planos de aumentar o tempo e o valor das contribuições dos funcionários públicos para a aposentadoria são urgentes para diminuir o déficit no setor.

O rombo deve alcançar 50 bilhões de euros (aproximadamente R$ 150 bilhões) por ano até 2020.

Os sindicalistas concordam que há desproporcionalidade no número de trabalhadores e aposentados, mas insistem que há outras maneiras de encontrar o dinheiro.

Parisienses tiveram que andar a pé, de bicicleta e skate para chegar ao trabalho nesta terça-feira com a interrupção do metrô.

A linha de trem para Londres e Bruxelas não foi afetada, mas portos devem ser parcialmente fechados e 80% dos vôos domésticos e internacionais foram interrompidos.

Em 1995, greves de transportes fizeram o governo francês mudar de idéia quanto à reforma, mas Raffarin insiste que não será intimidado pelos protestos.

O primeiro-ministro afirmou numa carta aberta ao povo francês que está determinado a pressionar pela aprovação das medidas no Parlamento.

Raffarin alertou que, se nada for feito para lidar com o problema do envelhecimento da população, em 20 anos os pensionistas vão ter seus rendimentos reduzidos à metade.

O líder sindical Marc Blondel pediu que o primeiro-ministro ouça o “eleitorado” francês.

Na segunda-feira, três centrais sindicais foram estimuladas por duas pesquisas de opinião pública que mostravam simpatia da maioria dos franceses pelos protestos.