Reinvindição budista sobre terreno de mesquita é rejeitada por Tribunal

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Publicado terça-feira, 8 de abril de 2003 as 18:12, por: CdB

O Supremo Tribunal do estado indiano de Uttar Pradesh rejeitou uma reclamação de um grupo budista que reivindica a propriedade dos terrenos onde existia uma mesquita do século XVI, que foi destruída em 1992 por milhares de fanáticos hindus, informaram nesta terça-feira, fontes do judiciário.

Segundo as fontes, o tribunal “não considera que existam motivos para apoiar a reivindicação” do terreno do templo, sobre o qual, até agora, hindus e muçulmanos mantinham uma disputa que levou à morte de milhares de pessoas, a grande maioria de religião islâmica.

A reclamação dos budistas se baseia em textos que falam sobre a existência de uma importante comunidade de monges no local, muito antes de haver hindus e, posteriormente, muçulmanos depois da conquista da região pelos mongóis.

No mês passado, um grupo de arqueólogos, por ordem do Supremo Tribunal de Uttar Pradesh, realizaram escavações na área e, segundo alguns deles, foram encotrados restos de um santuário budista.

O Conselho Mundial Hindu (VHP), formado por radicais nacionalistas dessa religião, afirma que só aceitará dos tribunais a decisão de entregar o terreno a eles, para construirem um templo ao deus Ram, que acreditam que tenha nascido no lugar.

O VHP, apoiado pelo partido governante, o Bharatiya Janata Party (BJP), ameaçou desestabilizar o regime do país se não conseguissem a posse do terreno. A atitude levou alguns políticos de oposição a pedirem que seus líderes sejam presos e processados.

Por sua parte, os muçulmanos reivindicam o lugar para voltar a levantar a mesquita de Babri, construída pelos mongóis há quase 500 anos e cuja destruição, há mais de dez anos, causou distúrbios que mataram mais de 2.000 pessoas.

Além de hindus, muçulmanos e budistas, também reclamam o terreno membros da comunidade jainista, que afirmam que no lugar havia um templo de sua religião.

A rivalidade entre a comunidade hindu, que é mais de 80% da população da Índia, e a muçulmana, que é quase 15%, piorou com a disputa, e criou uma situação de tensão religiosa que afeta todas as religiões, incluída a cristã.