Relatório revela outras movimentações suspeitas em contas de assessores de Bolsonaro

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Publicado sexta-feira, 7 de dezembro de 2018 as 16:48, por: CdB

Assessora de Jair Bolsonaro (PSL), Nathalia Queiroz, até mês passado, trabalhava no gabinete do agora presidente eleito. O pai dela, Fabrício Queiroz foi motorista e segurança de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado ao Ministério Público Federal, que revelou transações atípicas nas contas do sargento PM Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), aponta também movimentações suspeitas entre as contas dele e da filha, Nathalia Melo de Queiroz.

Flávio Bolsonaro foi eleito, no Rio de Janeiro, para o Senado
Flávio Bolsonaro foi eleito, no Rio de Janeiro, para o Senado

Nathalia, até mês passado, exercia o cargo de assessora no gabinete do deputado federal e agora presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Queiroz foi motorista e segurança de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O filho do presidente eleito assumirá a partir do ano que vem uma vaga no Senado.

O relatório do Coaf, citado em reportagem de um dos diários conservadores paulistanos, na véspera, aponta transações suspeitas em uma conta em nome de Queiroz. O ex-assessor movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017. Entre as operações bancárias liquidadas está um cheque de R$ 24 mil, descontado pela futura primeira-dama Michele Bolsonaro.

Nathalia é citada em dois trechos do relatório. O documento não deixa claro os valores individuais das transferências entre ela e seu pai, mas junto ao nome de Nathalia está o valor total de R$ 84 mil. A filha do PM foi nomeada em dezembro de 2016 para trabalhar como secretária parlamentar no gabinete de Bolsonaro na Câmara.

Secretária parlamentar

No dia 15 de outubro deste ano ela foi exonerada, mesma data em que seu pai deixou o gabinete de Flávio, na Alerj. Nathalia recebeu em setembro, pelo gabinete de Jair, um salário de R$ 10.088,42. O documento do Coaf que mapeou, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), as movimentações financeiras dos servidores da Alerj, foi anexado na investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, que levou à prisão 10 deputados estaduais do Rio.

Em defesa

O MPF divulgou, na véspera, nota na qual afirma que o relatório foi espontaneamente difundido pelo Coaf em um processo de compartilhamento de informações entre os órgãos de investigação.

“Como o relatório relaciona um número maior de pessoas, nem todos os nomes ali citados foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas”, afirmou o MPF.

Flávio Bolsonaro saiu em defesa do ex-funcionário e, em uma rede social, escreveu que “Fabricio Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança”.

Primeira-dama

“Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta”, acrescentou. Queiroz disse aos repórteres que o procuraram, nesta manhã, que não iria se pronunciar. Nathalia não foi localizada pela reportagem do Correio do Brasil e o gabinete de Jair Bolsonaro, na Câmara, disse que o agora presidente eleito não iria se manifestar.

Líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (RS) ingressou, nesta sexta-feira, na Procuradoria-Geral da República, com representação criminal pedindo para que seja instaurado procedimento de investigação para apurar “possíveis ilícitos criminais e administrativos” envolvendo o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e a futura primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro”.

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