Residentes de medicina de família e comunidade denunciam condições de trabalho em João Pessoa

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Publicado quinta-feira, 22 de julho de 2021 as 13:07, por: CdB

Salas sem portas, janelas quebradas, goteiras, mofo em parede, falta de medicamentos e insumos básicos, escassez de equipamentos de proteção individual. Essa é a realidade da maior parte dos postos de saúde de João Pessoa.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

Salas sem portas, janelas quebradas, goteiras, mofo em parede, falta de medicamentos e insumos básicos, escassez de equipamentos de proteção individual. Essa é a realidade da maior parte dos postos de saúde de João Pessoa.

USF Espaço Saúde, no bairro do Cristo Redentor, registra infiltrações em sala de atendimento

Preocupados com a precariedade das condições de trabalho e sem poder assistir à população em suas demandas, os residentes de medicina de família e comunidade (MFC), vinculados a quatro instituições de João Pessoa, decidiram protocolar documento-denúncia no Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE) e Conselho Regional de Medicina (CRM-PB) nesta segunda-feira (19) e paralisar as atividades nas unidades básicas de saúde durante esta quinta-feira, com apoio da Associação Paraibana de Médicos de Família e Comunidade.

Procurada, a Prefeitura de João Pessoa não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

– Já levamos essas pautas diversas vezes a gestão dos distritos e não conseguimos respostas. Não podemos fazer os procedimentos necessários, como a inserção do DIU, pela falta de segurança na esterilização dos instrumentos – afirma Marília Barbosa, residente do primeiro ano pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

As salas sem ar-condicionado e em condições insalubres com mofo e goteiras acabam prejudicando a qualidade do atendimento, piorando o estado de saúde de médicos e de usuários. Analgésicos simples e anti-hipertensivos para atender urgências não estão disponíveis nas farmácias das unidades.

USF Nova Esperança, em Mangabeira

Os residentes também denunciam a sobrecarga de trabalho, uma vez que várias equipes encontram-se sem médicos de referência, levando os preceptores a cobrirem outras unidades, o que prejudica o processo de ensino-aprendizagem, principalmente no contexto de pandemia em que a atenção básica acabou sendo porta de entrada de casos leves e moderados da covid-19.

As questões de segurança assustam profissionais e usuários, pois algumas unidades sofrem arrombamentos em sequência.

Paralisação

– A ideia da paralisação é chamar atenção da população e das autoridades, solicitar apoio das instâncias públicas para que as medidas necessárias sejam tomadas. A população de João Pessoa merece uma assistência à saúde de forma digna e respeitosa, principalmente em regiões de alta vulnerabilidade socioeconômica, como são as que estamos trabalhando – ressalta Arthur Vizzotto, residente do segundo ano da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Durante a paralisação, os residentes vão solicitar uma reunião com o secretário municipal de saúde para discutir prazos para as mudanças necessárias. Os médicos pretendem mobilizar suas comunidades para que elas exijam do poder público melhores condições para a atenção primária à saúde.

 

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