Reunião do Copom começa avaliar a taxa de juros básicos da economia

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Publicado terça-feira, 17 de março de 2020 as 16:12, por: CdB

No início da semana passada, a maioria das instituições financeiras consultadas pelo boletim Focus, do Banco Central, previa a manutenção da Selic, que está no menor nível da história. No entanto, a forte alta do dólar e a queda da bolsa nos últimos dias provocaram uma inversão de expectativas. A curva de juros no mercado futuro subiu.

Por Redação – de Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nestas terça e quarta-feiras a segunda reunião do ano para definir a taxa Selic, atualmente em 4,25% ao ano. O avanço do novo coronavírus e a instabilidade do mercado financeiro na última semana levaram à indefinição sobre o destino dos juros básicos da economia.

A reunião do Copom, no Banco Central, determina a taxa oficial de juros nos financiamentos bancários
A reunião do Copom, no Banco Central, determina a taxa oficial de juros nos financiamentos bancários

No início da semana passada, a maioria das instituições financeiras consultadas pelo boletim Focus, do Banco Central, previa a manutenção da Selic, que está no menor nível da história. No entanto, a forte alta do dólar e a queda da bolsa nos últimos dias provocaram uma inversão de expectativas. A curva de juros no mercado futuro subiu, indicando que parte dos agentes financeiros aposta em um possível aumento da Selic.

Há quase duas semanas, quando as turbulências no mercado financeiro começaram a se intensificar, o Banco Central emitiu comunicado no qual informou que compararia os efeitos da desaceleração da economia e da deterioração dos ativos financeiros sobre a inflação antes de tomar uma decisão sobre a Selic.

No comunicado, a autoridade monetária avaliava que a baixa demanda prevalecia, o que impediria o repasse da alta do dólar para os preços. Algumas instituições financeiras interpretaram a nota como uma indicação de que os juros poderão baixar nesta reunião.

Nova selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia.

Crédito

Ao definir a Selic, o Copom considera as alterações anteriores nos juros básicos suficientes para chegar à meta de inflação, objetivo que deve ser perseguido pelo BC. Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo.

Entretanto, as taxas de juros do crédito não caem na mesma proporção da Selic. Segundo o BC, isso acontece porque a Selic é apenas uma parte do custo do crédito. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de ficar acima da meta de inflação.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4% em 2020; 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Em baixa

Economistas ouvidos na pesquisa Focus, do BC, estão certos que a autoridade monetária irá reduzir a Selic, nesta semana. Se há poucos dias o corte ainda era apenas uma possibilidade, agora a discussão é de quanto será a redução aplicada pelo BC.

O principal motivo apontado para a mudança no viés tem sido a pandemia do novo coronavírus. Bancos centrais do mundo promovem cortes nos juros para mitigar os efeitos da crise, o que pressiona o BC a agir na mesma direção. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) reduziu os juros à faixa entre 0% e 0,25%, no segundo corte em menos de duas semanas.

— O caos que se instalou no mercado com o crescimento exponencial no número de casos de COVID-19 no Brasil nos leva a pensar que o BC terá uma política mais agressiva, na tentativa de garantir que a economia vai continuar aquecida — afirmou a economista Juliana Inhasz, professora do Insper.

Demanda

A dúvida é se o BC fará um corte mais moderado, de 0,5 ponto percentual, ou se será mais agressivo, com redução de 0,75 ponto na taxa. Alguns economistas falam em corte de até 1 ponto. Atualmente, a Selic já está no menor patamar da história, em 4,25%.”

Na opinião do empresariado, o país precisa manter os juros baixos por um bom tempo para mitigar o déficit habitacional e gerar empregos. Essa é a visão de Eduardo Fischer, copresidente da construtora MRV.

— Precisamos de décadas de juros civilizados para equilibrar a demanda e a oferta no nosso setor — completou o executivo, a jornalistas, pouco antes do início da reunião do Copom.

Cenário

Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que o déficit habitacional brasileiro é de 8 milhões de residências.

— No Brasil, a indústria da construção talvez seja a única em que a demanda é maior do que a oferta. Mais de 1 milhão de famílias são formadas por ano e as pessoas precisam ter onde morar — acrescentou.

Ter crédito barato disponível é a única maneira de equalizar essa conta, diz ele. E, no atual momento de crise dos mercados, é fundamental que a Selic, a taxa básica de juros, se mantenha nesse patamar baixo.

— Os bancos precisam enxergar que o cenário é sustentável — concluiu.

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