Rio: assassinato da juíza Patrícia Acioli completa 10 anos 

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Publicado quarta-feira, 11 de agosto de 2021 as 14:24, por: CdB

A juíza vinha atuando em diversos processos em que PMs de São Gonçalo eram acusados de forjar autos de resistência, isto é, mortes de suspeitos em confronto com a polícia. Ela estava sem escolta oficial por decisão do então presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter.

Por Redação, com agências de notícias – do Rio de Janeiro

O assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, completou 10 anos nesta quarta-feira, morta com 21 tiros em uma emboscada na frente de sua casa em Piratininga, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2011.

O assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, completou 10 anos

Patricia era titular da Quarta Vara Criminal de São Gonçalo quando foi assassinada e tinha 47 anos. Como juíza, ela prendeu mais de 60 policiais militares. Seus três filhos estavam em casa no momento do crime.

A juíza vinha atuando em diversos processos em que PMs de São Gonçalo eram acusados de forjar autos de resistência, isto é, mortes de suspeitos em confronto com a polícia. Ela estava sem escolta oficial por decisão do então presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter.

Ao todo, 11 policiais foram condenados no crime, dois oficiais e nove praças. Os dois oficiais ainda estão na Polícia Militar recebendo salário. Os praças foram expulsos da corporação.

ONG Rio de Paz

A ONG Rio de Paz fez um ato em memória da juíza Patrícia Acioli, nesta quarta-feira. O protesto foi na “árvore da Patrícia”, onde há uma placa em homenagem à juíza, no calçadão da praia de Icaraí, em frente à reitoria da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói. No local, a ONG depositará 21 rosas.

– Foi um crime gravíssimo, covarde, um atentado ao estado democrático de direito, uma vez que atentaram contra um dos poderes da república. A juíza Patricia Acioli foi morta por cumprir a sua função de combater os autos de resistências forjados por PMs – disse o presidente da ONG, Antonio Carlos Costa.

Batalhão

Desde a morte da juíza, a área do Sétimo Batalhão foi a que registrou mais mortes por PMs entre as 42 de todo o Estado. Foram 1.099 vítimas por intervenção policial de setembro de 2011 até junho de 2021, segundo dados do ISP.

Em 2013, os autos de resistência voltaram a crescer na região e dispararam em 2014. Mesmo com a pandemia, em 2020, 199 pessoas foram mortas pela polícia naquela região. O número é 10 vezes maior que o registrado no ano da morte de Patrícia.

Dois policiais condenados pela morte de Acioli continuam nos quadros da Polícia Militar, recebendo salários. O tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira e o tenente Daniel Santos Benitez Lopes.

O processo de expulsão dos dois agentes ainda não foi concluído, uma década depois do crime. Cláudio recebe mensalmente R$ 39.497,40. Já Daniel ganha R$ 10.583, 05.

– Pra família gera uma indignação tremenda né? Porque o que que acontece? Se você levar em conta que já são dez anos, né? E até hoje eles não foram expulsos e o pior ainda: além de não ser expulso, ainda se torna um um peso para a sociedade – diz Wilson Junior, ex-marido e pai dos filhos de Patrícia.

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que “a sua competência nos trâmites administrativos relativos aos dois oficiais já foi cumprida, repassando para instâncias superiores”. “Os processos na Justiça permanecem aguardando as decisões da Casa Civil e da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, onde tramitam.”

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