Rio irá ganhar Centro Cultural da Herança Africana

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Publicado sexta-feira, 22 de novembro de 2019 as 12:16, por: CdB

No local vai funcionar o Centro de Interpretação do Cais do Valongo e o centro cultural dedicado à herança africana, sob a gestão da Fundação Palmares.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

O  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) publicou na quinta-feira, edital de licitação para contratação do projeto executivo de restauro e adequação das Docas Dom Pedro II, que passará a integrar o circuito conhecido como Pequena África. Localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, este é um lugar simbólico da herança afro-brasileira por ter sido ponto de desembarque dos escravos no Porto do Rio.

Rio de Janeiro vai ganhar Centro Cultural da Herança Africana
Rio de Janeiro vai ganhar Centro Cultural da Herança Africana

No local vai funcionar o Centro de Interpretação do Cais do Valongo e o centro cultural dedicado à herança africana, sob a gestão da Fundação Palmares. No local vai funcionar também o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (Laau), centro de referência ligado ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), da prefeitura do Rio de Janeiro. O laboratório abriga cerca de 1,5 milhão de artefatos encontrados durante as escavações do sítio.

O espaço de dois andares e 14 mil metros quadrados terá investimento de R$ 2 milhões. O imóvel, atualmente ocupado pela ONG Ação da Cidadania, pertence à União. A ONG firmou acordo e será transferida para o Galpão da Gamboa, de propriedade da prefeitura.

De acordo com o superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Manoel Vieira, este “será o primeiro centro de interpretação no estado. O conceito fundamental é funcionar como espaço de acolhimento e recepção de turistas e visitantes, com informações sobre patrimônio e turismo, e os valores culturais preservados no Cais do Valongo. O antigo prédio das Docas Pedro II se demonstra o espaço mais adequado, por dialogar com o sítio sensível”.

Descoberta

O sítio arqueológico do Cais do Valongo foi revelado em 2011, em meio às obras da zona portuária do Rio de Janeiro, durante o processo de licenciamento ambiental com participação do Iphan. É o único vestígio material da chegada dos africanos escravizados no Brasil. Foi o maior porto de desembarque do tráfico negreiro nas Américas, por onde passaram cerca de um milhão de escravos, somente no século XIX. Lugar de memória de uma história que a humanidade não pode esquecer, foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial em 2017.

Docas Dom Pedro II

O edifício das antigas Docas Dom Pedro II integra a região atualmente conhecida como Pequena África, roteiro na região portuária do Rio de Janeiro, com lugares históricos que marcam a Diáspora Africana no Brasil. O local é espaço simbólico para a comunidade afrodescendente que, rapidamente, após a realização das pesquisas arqueológicas, converteu o local em símbolo da luta pela afirmação de sua identidade e de sua história.

Ações de conservação

A conservação do Cais do Valongo é parte do plano desenvolvido pelo governo brasileiro para valorizar o reconhecimento mundial, conferido pela Unesco. Além do restauro das ruínas, haverá a construção de um museu a céu aberto ao redor do sítio arqueológico. O local receberá iluminação cênica, sinalização direcional e sistema de segurança por câmeras.

As obras ao redor do Valongo, já iniciadas, são executadas pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), com a assessoria técnica do Iphan, contando com investimentos de R$ 2,1 milhões do consulado dos EUA e outros R$ 2,1 milhões da empresa chinesa State Grid Brazil Holding.

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