Rio das Ostras: sem-terra ocupam um latifúndio e resistem em acampamento

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Publicado segunda-feira, 23 de abril de 2018 as 14:20, por: CdB

As dezenas de famílias de trabalhadores rurais sem-terra que ocupam o então a fazenda denominada Rancho Sagitário são oriundas, na maioria, das periferias de Rio das Ostras e Macaé. Elas possuem vocação e histórico de produção rural

 

Por Redação, com Marcel Silvano/Jornal Prensa de Babel – de Rio das Ostras (RJ)

Ocupação em latifúndio improdutivo em Rio das Ostras segue para o quarto dia, nesta segunda-feira.

As famílias chegaram ao local no início de sábado. Em seguida, passaram a montar suas barracas e dividir as funções do acampamento.

Ocupação em latifúndio improdutivo em Rio das Ostras segue para o quarto dia
Ocupação em latifúndio improdutivo em Rio das Ostras segue para o quarto dia

O INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária foi acionado logo após o fato, para que tome as providências das vistorias previstas para desapropriações de áreas com indicativos para assentamentos da Reforma Agrária na Região.

Acampamento

As dezenas de famílias de trabalhadores rurais sem-terra que ocupam o então a fazenda denominada Rancho Sagitário são oriundas, na maioria, das periferias de Rio das Ostras e Macaé. Elas possuem vocação e histórico de produção rural.

Durante o dia, passaram por lá agentes da Polícia Militar, ex funcionários e uma pessoa identificada como “amigo do proprietário”; além da Polícia não caracterizada, conhecida como “P2”. As famílias apresentaram as reivindicações e mostraram o caráter pacífico da ocupação, que aguardam os procedimentos jurídicos cabíveis.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro também foi acionada por iniciativa dos sem-terra. O colegiado atua em situações de conflitos no setor agrário e acompanha, portanto, os casos de ocupações no Estado. Os ocupantes do terreno também contam com apoio de autoridades dos municípios de origem das famílias.

Tensão

Professores universitários que acompanham a questão agrária e desenvolvem projetos de pesquisa em acampamentos e assentamentos também acompanharam o dia. O vereador de Macaé, Marcel Silvano (PT) compareceu à instalação do acampamento. Ele participou de alguns diálogos com policiais e as famílias. Seu mandato debate e acompanha a questão da terra e da agricultura familiar na região.
 

Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Alerj eram aguardados para uma visita oficial. Outros movimentos sociais e lideranças políticas, sociais e religiosas da região acompanham os fatos.

A ocupação, à beira da estrada de Cantagalo, recebeu diversas manifestações espontâneas de apoio de quem passava pela estrada. Mas, também foram alvo de ameaças de ocupantes de outros veículos; de xingamentos e de gestos obscenos. As manifestações contrárias aumentaram a tensão do acampamento.