As ruas tomam a palavra

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Publicado quinta-feira, 16 de maio de 2019 as 10:18, por: CdB

No dia 15 de maio, o país teve de volta algo imprescindível: as ruas tomaram a palavra pela boca de uma causa progressista, desenvolvimentista: A defesa das universidades e da Educação pública e gratuita.

Por Adalberto Monteiro – de Brasília

Enquanto, ela, a palavra, é monopólio do Palácio, da grande mídia, de oráculos dos charlatões, ou mesmo, do Parlamento, o país deixa de usufruir dessa potente força transformadora que é povo nas ruas bradando pelos seus direitos.

Estudantes toma as ruas do Recife

O Primeiro de Maio já fora uma boa-nova. As centrais da classe trabalhadora unificadas em defesa da aposentadoria e do emprego realizaram atos pelo país afora.

As manifestações, deste 15 de maio, aconteceram nas 27 unidades de nossa República Federativa. Em cerca de 200 cidades, um coral de milhares entoou um grito contra o corte de verbas tanto para o ensino superior quanto para o ensino básico. Em várias localidades, sobretudo em capitais, mais de cem mil pessoas tomaram praças e ruas.

Ao mesmo tempo em que a verdade ecoava nas avenidas, um trôpego ministro da Educação, no plenário da Câmara dos Deputados, convocado por um requerimento do deputado federal Orlando Silva, defendia o indefensável: o descarte da Educação, o estrangulamento das universidades, a desativação de pesquisas, o fim de bolsas de estudo.

Cinicamente, como disse a deputada federal Jandira Feghali, o dito ministro sacava do argumento que daqui por diante, “por que é assim na Europa”, a prioridade será o ensino básico e técnico. O cinismo se confirma quando é público que o MEC anunciou no início de maio um corte de R$ 2,4 bilhões, também, para o ensino básico.

Que os dias confirmem o que se prenuncia: 15 de maio como a data que marca o início de uma nova temporada da batalha das ruas sob as bandeiras da democracia, da soberania e dos direitos.

Não raro na história brasileira, quando a desesperança imobiliza, quando derrotas desagregam, quando tiranos arrotam soberba, irrompem-se a rebeldia, a força mobilizadora e unificadora da juventude estudantil.

Novamente a União Nacional dos Estudantes (UNE), e, também, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), em conjunto com entidades dos professores, dos trabalhadores na Educação, associação de reitores, centrais sindicais, e outros movimentos, desempenham importante protagonismo político.

Enquanto isso, de lá dos Estados Unidos, onde novamente vai para bajular os gringos, o presidente da República Jair Bolsonaro insultou os manifestantes. Para ele todos seriam “uns idiotas úteis, uns imbecis”.

Acaso, idiota não seria quem não compreende que a Educação, que as universidades, são alicerces de um projeto de Nação?

Acaso, imbecil, não seria quem não entende que a Educação é uma alavanca indispensável ao desenvolvimento soberano?

Adalberto Monteiro é jornalista, poeta e secretário nacional de comunicação do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

 

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