Rússia espera produzir vacina desenvolvida no Reino Unido

Arquivado em: Destaque do Dia, Europa, Mundo, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 17 de julho de 2020 as 14:58, por: CdB

A Rússia espera que um acordo com a AstraZeneca para produzir a vacina contra covid-19 desenvolvida pela gigante farmacêutica e pela Universidade de Oxford siga adiante, apesar das acusações de que tentou roubar dados da vacina, disse o chefe do fundo soberano do país.

Por Redação, com Reuters – de Moscou/Bruxelas

A Rússia espera que um acordo com a AstraZeneca para produzir a vacina contra covid-19 desenvolvida pela gigante farmacêutica e pela Universidade de Oxford siga adiante, apesar das acusações de que tentou roubar dados da vacina, disse o chefe do fundo soberano do país.

Kirill Dmitriev em São Petersburgo
Kirill Dmitriev em São Petersburgo

O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido disse na quinta-feira que hackers apoiados pela Rússia estavam tentando roubar informações sobre as pesquisas sobre vacina e tratamento contra a covid-19 de instituições farmacêuticas e acadêmicas ao redor do mundo, o que o Kremlin negou.

Kirill Dmitriev, chefe do Fundo de Investimento Direto da Rússia, disse em uma entrevista nesta sexta-feira que as acusações são falsas e que Moscou não precisa roubar segredos, pois já tinha um acordo com a AstraZeneca para produzir a vacina na Rússia.

Ele disse que o acordo pode ser anunciado ainda nesta sexta.

– Não há nada que precise ser roubado – disse ele à agência inglesa de notícias Reuters. “Tudo será dado à Rússia.”

UE conversa com diversas empresas

A União Europeia está negociando acordos de compra antecipada de possíveis vacinas contra covid-19 com as farmacêuticas Moderna, Sanofi e Johnson & Johnson e com as empresas de biotecnologia BioNtech e CureVac, disseram duas fontes do bloco à Reuters.

As conversas ocorrem após um acordo fechado por quatro países da UE com a AstraZeneca em junho para a compra antecipada de 400 milhões de doses de sua potencial vacina contra covid-19, em princípio disponíveis para todas as 27 nações do bloco.

A informação sobre as conversas em andamento foi compartilhada pela Comissão Europeia, o Executivo da UE, com ministros da Saúde dos países do bloco em uma reunião realizada em Berlim na quinta-feira, disseram as fontes.

As conversas múltiplas confirmam a postura mais afirmativa do bloco na aquisição de vacinas e remédios potenciais contra covid-19 na esteira da movimentação dos Estados Unidos para garantir tratamentos e vacinas promissores.

– Estamos conversando com várias empresas sobre possíveis vacinas contra covid-19 – disse o porta-voz da Comissão Europeia nesta sexta-feira, mas sem mencionar companhias específicas, já que as negociações são confidenciais.

Mais de 150 candidatas a vacinas estão sendo desenvolvidas e testadas em todo o mundo para tentar deter a pandemia. Das 23 em testes clínicos em humanos, ao menos três estão na Fase 3 final, entre elas duas candidatas das chinesas Sinopharm e SinoVac Biotech e uma da AstraZeneca com a Universidade de Oxford.

As potenciais vacinas da SinoVac e da AstraZeneca estão sendo testadas em voluntários no Brasil e já existem acordos para que elas sejam produzidas no país caso tenham a eficácia comprovada nos ensaios clínicos.

As tratativas mais avançadas da UE parecem ser aquelas com a Johnson & Johnson e a Sanofi, o que confirma uma reportagem de julho da Reuters, porque o bloco já está debatendo detalhes sobre o número de doses necessárias.

Johnson & Johnson

Com a gigante norte-americana Johnson & Johnson, o bloco negocia um suprimento de 200 milhões de doses de sua vacina em potencial, disseram as fontes, acrescentando que suprimentos adicionais também podem estar disponíveis.

O bloco também planeja obter, no segundo semestre do ano que vem, 300 milhões de doses da vacina em potencial sendo desenvolvida pela francesa Sanofi em cooperação com a farmacêutica britânica GlaxoSmithKline Plc, segundo as fontes.

A Comissão Europeia disse diversas vezes que, se a doses de vacinas bem-sucedidas não bastarem para toda a população da UE, elas serão distribuídas com base em dados demográficos e epidemiológicos.