Saída de Casseb muda a face do governo

Arquivado em: Arquivo CDB
Publicado sexta-feira, 12 de novembro de 2004 as 10:14, por: CdB

A possível saída do presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, conforme anunciou nesta sexta-feira a coluna de Ancelmo Góes, no jornal O Globo, não é um movimento isolado, segundo analistas políticos ouvidos pelo Correio do Brasil. O secretário executivo do Ministério da Saúde, o médico sanitarista Gastão Wagner, pediu demissão nesta quarta-feira por motivos muito parecidos com o de Casseb. Além das divergências com o ministro Humberto Costa, que se acumulavam nas últimas semanas, uma das razões que o levaram a deixar o posto foi a insatisfação com os horizontes administrativos do Ministério. Wagner era o segundo na escala executiva do ministério e cabia a ele assumir a direção da pasta na ausência do ministro.

Ainda segundo analistas, o governo passa por uma reestruturação na qual “muitos daqueles que entraram no primeiro momento do governo devem deixar seus cargos, rumo à iniciativa privada, destino idêntico ao de Cássio Casseb e Gastão Wagner”. Ainda assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se movimentado para evitar que cargos-chave na administração fiquem vagos de uma hora para a outra.

– O que vemos é o presidente realizar uma orquestração deste movimento, que ainda deverá durar algum tempo, provavelmente até o fim do ano, quando outras posições em ministérios, empresas e autarquias deverão ser alternadas. Quem fica no governo agora, até 2006, deverá ter um perfil mais técnico do que ideológico – disse um consultor do Ministério das Minas e Energia, que prefere citar o nome.

Segundo a nota de Anselmo Góes, o presidente do Banco do Brasil retira-se da iniciativa governamental para a cena empresarial. “Acostumado com a iniciativa privada, não está satisfeito com o ritmo lento das decisões na administração pública”, afirma o colunista.