Santander e BBVA confirmam aposta na América Latina

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Publicado quinta-feira, 8 de maio de 2003 as 13:38, por: CdB

Os bancos espanhóis Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e Santander Central Hispano (SCH) confirmaram nesta quinta-feira sua aposta no mercado latino-americano.

Assim declararam o diretor-executivo do BBVA, José Ignacio Goirigolzarri, e o vice-presidente e conselheiro delegado do SCH, Alfredo Sáenz, durante sua participação no “X Encontro do Setor Financeiro”, organizado pelo jornal ABC, de Madri, e pela empresa de auditoria e consultoria Deloitte & Touche.

Goirigolzarri disse que o México é a “principal aposta” do BBVA na América Latina, dado o grande potencial de crescimento que seu setor financeiro possui, decorrente da pequena presença de bancos na região em comparação com outras zonas.

Por sua vez, Sáenz disse que a América Latina possui um importante potencial de crescimento a curto e médio prazo, já que o pior da crise “já passou”. No entanto, ele afirmou que “poucas entidades serão as vencedoras” nesta região.

Sáenz declarou que os bancos que quiserem competir na América Latina deverão ser capazes de gerar receitas recorrentes de qualidade e melhor eficiência, “especialmente comercial”.

Quanto ao mercado europeu, os dois banqueiros descartaram que em curto ou médio prazo ocorra uma maior consolidação do setor bancário, embora acreditem que a longo prazo acontecerão operações de fusão entre bancos de diferentes países.

Sáenz afirmou não enxergar “processos de integração a curto prazo”, porque não existe a possibilidade de estas operações “gerarem valor para o acionista”.

Seguindo a mesma linha, Goirigolzarri afirmou que a curto ou médio prazo não acontecerão “movimentos agressivos” de concentração bancária, embora tenha previsto a longo prazo uma “Europa muito mais consolidada”.

Os representantes das maiores entidades financeiras espanholas também explicaram os modelos de negócio com os quais o BBVA e o SCH se denfrontarão nos próximos anos.

Goirigolzarri disse que o BBVA “reagiu” ao período de desaceleração econômica mundial por meio da administração do risco, tanto creditício quanto estrutural, e do fortalecimento do capital.

Além disso, afirmou que o banco iniciou em janeiro um processo de reestruturação de sua cúpula diretora, com a intenção de se aproximar ainda mais dos clientes, e que criou três unidades de negócio: uma varejista, outra atacadista e mais uma para a América.

Goirigolzarri declarou que o BBVA tem como objetivo alcançar, até o final de 2005, a base de 12 milhões de clientes, frente aos 11 milhões atuais, e uma média de 4,5 produtos por usuário, frente aos 3,6 atuais.

Por outro lado, Sáenz se mostrou otimista quanto à evolução futura do mercado financeiro espanhol, em razão das perspectivas de maior crescimento econômico, dos níveis mínimos históricos de morosidade e da possibilidade de aumentar as receitas por meio de comissões.

Além disso, ele declarou que os bancos espanhóis ainda possuem margem para aumentar a rentabilidade dos produtos de crédito e de passivo, em comparação com o restante das entidades européias.

Sáenz afirmou que o banco presidido por Emilio Botín enfrentará nos próximos anos um modelo baseado no crescimento, na eficiência, na gestão de risco, na disciplina de capital e na diversificação.