São Paulo entra em estado de alerta diante crise hídrica à vista

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Publicado sábado, 28 de julho de 2018 as 16:33, por: CdB

De acordo com Edson Aparecido da Silva, organizador do Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama), a capital paulista caminha para uma nova crise hídrica.

 

Por Redação, com RBA – de São Paulo

 

Os reservatórios do Sistema Cantareira estão a um passo do estado de alerta, que tende a ser declarado neste domingo, com o nível do volume útil armazenado caindo diariamente desde abril. O sistema chegou a 40,2% de sua capacidade nesta sexta-feira, muito abaixo do período pré-crise hídrica, em 2013, quando acumulava 53,9%.

Atualmente, o Cantareira está em estado de atenção, mas diante de uma grave crise hiídrica
Atualmente, o Cantareira está em estado de atenção, mas diante de uma grave crise hiídrica

Hoje, o Cantareira está na faixa de atenção – quando se opera entre 40% e 60% de sua capacidade total. Entretanto, quando alcançar os 39,9%, o sistema entrará na terceira faixa: a de alerta. Esses limites foram estabelecidos em 2017, quando a Agência Nacional de Águas (ANA) determinou, por meio da Resolução Conjunta 925, os limites de retiradas de água pela Sabesp.

De acordo com Edson Aparecido da Silva, organizador do Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama), a capital paulista caminha para uma nova crise hídrica, pois a situação atual é pior do que a de 2013.

— O quadro não demonstra melhora e tem se agravado pela falta de chuva — alerta.

El Niño

Dados da Sabesp apontam que pluviometria acumulada no mês é de apenas 1,2 mm até esta sexta, enquanto a média de chuvas em julho é de 48,7 mm. Antes da crise, o mesmo período obteve uma pluviometria acumulada de 73,9 mm.

O professor de Hidrologia e Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Antonio Carlos Zuffo não acredita que São Paulo terá problemas com abastecimento, pois aposta no El Niño – fenômeno climático que provoca chuvas acima da média.

— A partir de outubro começa o período chuvoso novamente e deve haver uma recuperação. Até lá deve haver água, o problema é se chover pouco a partir de outubro — acredita.

Retirada

O boletim da ANA, no entanto, mostra que na última quarta-feira as vazões afluentes médias, ou seja, o volume de água que entra no sistema Cantareira, chegaram a 7,50 metros cúbicos por segundo. O número é o segundo pior da história para o mês de julho, apenas acima de 2014, período extremo da crise, quando a média foi de 6,43 metros cúbicos por segundo.

Mesmo com a baixa vazão afluente, a Sabesp possui a permissão de retirar 31 metros cúbicos por segundo, mas tem retirado 23,08 metros. Segundo Edson Aparecido, a companhia de recursos hídricos deveria diminuir ainda mais esta retirada.

— O Cantareira demonstra uma queda expressiva, então a Sabesp deveria trabalhar na perspectiva de usar menos água dos reservatórios — conclui.

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