Secretário diz que força-tarefa é para combater crime organizado no Ceará

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Publicado terça-feira, 20 de fevereiro de 2018 as 14:25, por: CdB

O secretário deu entrevista sobre os trabalhos da força-tarefa, que inclui 36 policiais para auxiliar nas operações de inteligência no Estado

Por Redação, com ABr – de Fortaleza:

O envio da força-tarefa não tem ligação com nenhum fato isolado, disse o secretário de Segurança do Ceará, André Costa, sobre a equipe do Ministério da Justiça que está em Fortaleza para ajudar a combater o crime organizado. Ele negou que a ação tenha sido motivada pela morte de dois homens apontados como líderes do PCC, no último final de semana.

Secretário diz que força-tarefa no Ceará é para combater crime organizado

O secretário deu entrevista sobre os trabalhos da força-tarefa, que inclui 36 policiais para auxiliar nas operações de inteligência no Estado. O coordenador da equipe e secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJ), almirante Alexandre Mota, também estava na coletiva.

De acordo com o secretário André Costa, a permanencia dos agentes faz parte de um projeto-piloto feito em parceria com o governo federal, que vem sendo articulado desde dezembro do ano passado. “Isso (o trabalho entre os governos) não é resultado de nenhum fato específico, mas de todo um contexto que passamos, de índices de violência e de integração das forças”, afirmou.

Para o secretário, a presença de facções criminosas é uma realidade que ultrapassa as divisas do Estado. “Um Estado não vai conseguir combater essa problemática isoladamente. É preciso participação da União. Precisamos desse trabalho federalizado; porque dependemos de muitas informações que estão em poder de outros estados e das forças federais.”

Costa disse que o projeto-piloto leva em conta o contexto que o Ceará tem enfrentado na área da segurança pública. No entanto, além do número recorde de homicídios ocorridos em 2017; que ultrapassou cinco mil; o Estado registrou episódios violentos brutais nas últimas semanas. No fim de janeiro, 14 pessoas foram mortas em uma casa de shows na periferia de Fortaleza; e 10 detentos morreram durante conflito em uma cadeia pública. Nos dois crimes, houve indícios da participação de facções criminosas.

Crimes violentos

O número de crimes violentos letais intencionais (CVLIs) no Ceará atingiu, no ano passado; o número recorde de 5.134, 44% acima do registrado em 2016; quando houve 3.407 casos; e o mais alto índice de violência dos últimos cinco anos.

Para o sociólogo Ricardo Moura, pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas Conflitualidade e Violência da Universidade Estadual do Ceará; trata-se de uma questtão que deve ser encarada como “prioridade máxima do governo e da sociedade.” A informação foi divulgada sexta-feira; pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social.

No entanto, destacou Moura, o que ocorre é que vai-se acostumando com as mortes e com a brutalidade delas; como se tais vidas não fossem importantes. “Investir fortemente em investigação criminal e inteligência policial é um fator; que tem-se mostrado muito eficaz nos países que conseguiram reduzir suas taxas de assassinatos”, afirmou o pesquisador.

O secretário da Segurança do Ceará, André Costa, atribuiu o aumento de tais crimes à dinâmica da presença das facções. “Houve um acirramento das facções (criminosas). Em grande parte, essas mortes são resultantes de disputas de território e de mercados. Temos que buscar trabalhar mais em cima das causas. Iniciamos um trabalho de territorialização da polícia”; explica, destacando que o efetivo da Polícia Militar ganhou novos 2,7 mil policiais.

O sociólogo Ricardo Moura aponta a disputa entre facções como um dos componentes dos dados da violência de 2017 e ressalta; que esses grupos organizados foram subestimados nos últimos dois anos; quando os índices de crimes violentos letais chegaram a cair de 4.019 em 2015 pata 3.407 em 2016.

Segundo Moura, a rapidez de organização das facções e a imposição de normas em determinadas áreas da capital, Fortaleza, fizeram surgir territórios inteiros  dominados por criminosos.

– Há um desafio imenso, que é o de fazer com que a população que mora em áreas socialmente vulneráveis sinta-se segura novamente. E é preciso ainda investir em tais territórios. Dotá-los de serviços, desenvolver projetos de geração de emprego e renda, mostrar às famílias e, principalmente às crianças e adolescentes, que é possível sonhar com uma vida melhor – acrescentou Moura.

Solução

Ele destacou que buscar a investigação e solução desses crimes é outro desafio; que precisa ser enfrentado. Para tanto, é preciso investir na Polícia Civil, que; segundo o sociólogo, há anos passa por um processo de sucateamento.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, há 700 policiais civis, entre delegados, inspetores e escrivães em cursos de formação. “É preciso que os assassinatos sejam todos elucidados para que possamos descobrir a autoria e as motivações de cada um deles. Só assim poderemos traçar um perfil dos homicídios no Estado”, concluiu o secretário André Costa.

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