Secretário estranha depoimento da filha de Staheli

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Publicado domingo, 7 de dezembro de 2003 as 11:24, por: CdB

O Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmou, em entrevista a uma rádio na manhã deste domingo, que está intrigado com dois detalhes sobre o assassinato do casal Staheli, registrado na semana passada, no Rio de Janeiro. Garotinho declarou que o fato de um travesseiro ter sido encontrado sobre o rosto do executivo da Shell é um sinal de que o criminoso não queria ver o resultado do seu ato.

Outro detalhe que intriga Garotinho é a confusão em torno de uma machadinha, encontrada na casa. Em depoimento à polícia, o filho de dez anos do casal declarou que o objeto lhe pertence e que havia brincado com ela durante uma festa realizada na parte da tarde, no dia do crime. O menino contou quem logo depois de brincar com ela, voltou a guardá-la em seu quarto. No entanto, a polícia encontrou a machadinha no quarto da filha do casal.

Segundo informações da GloboNews, a reconstituição do crime pode ser adiada. Inicialmente, estava marcada para quarta-feira, mas o advogado da família disse que as crianças não têm condições psicológicas, por enquanto, de participarem do processo.
Por determinação do juiz da 2ª Vara da Infância e Adolescência, Guaracy Viana, e a pedido da Delegacia de Homicídios, as duas crianças estão proibidas de deixar o País até o fim das investigações.

Anteriormente, a Justiça já havia determinado que os dois filhos mais velhos permanecessem no País até prestarem depoimento. Ontem, os filhos mais velhos do casal depuseram na Justiça. A filha de 13 anos disse no depoimento que prestou que seu pai estava muito preocupado com um relatório que teria que entregar para a Shell e que precisava ser alterado a todo momento. Ela também declarou que seu pai discutia muito por telefone sobre o relatório.

A menina afirmou que não havia alarme nem cerca elétrica na casa. Ela contou que abriu a porta da casa para um casal amigo dos Staheli, mas que o portão da casa estava destrancado. A empregada não tinha as chaves da casa, de acordo com o depoimento. 

A filha mais velha também disse que retirou um travesseiro da cabeça do seu pai na cena do crime e que em seguida chamou o casal de norte-americanos. Segundo os advogados, pais e filhos tinham uma boa relação.

A menina declarou também não acreditar que seus pais tivessem inimigos. De acordo com o depoimento, no dia da morte dos pais, ela foi dormir à meia-noite e passou pelo quarto do casal, onde tudo parecia correr bem.

Seu irmão de dez anos, que também depôs, estava muito nervoso. Foi o menino que encontrou os pais feridos. A perícia não detectou nenhuma impressão digital ou mancha de sangue na machadinha.

O casal, também norte-americano, que viu a cena do crime, também depôs na sexta-feira. Caroline Turner depôs primeiro. Ela disse que o portão da casa estava aberto e que não subiu ao segundo andar da casa para ver o casal. Ela disse também que as crianças estavam apavoradas e que a filha mais velha era a única que estava sem pijama. Jeffrey Turner disse que não viu sinais de arrombamento na casa.

A menina também afirmou que a mãe sentiu falta de uma flauta que custava cerca de US$ 200 e que desconfiava da empregada. A adolescente também disse que gosta de um jovem de 14 anos, também norte-americano, que mora no Rio, mas que não o considera um namorado. O rapaz prestou depoimento duas vezes.