Sem Arafat, Bush vê “abertura para paz” com os palestinos

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Publicado quarta-feira, 10 de novembro de 2004 as 21:32, por: CdB

Diante da iminente morte de Yasser Arafat, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse na quarta-feira que acha possível a retomada das negociações de paz com uma nova liderança. “Acho que temos uma chance”. afirmou.

Bush, que isolou o veterano líder palestino, por considerá-lo um obstáculo à paz, disse que seu governo está preparado para ajudar os palestinos a reforçarem suas instituições, mas não deu detalhes.

Washington cogita o envio do secretário-assistente de Estado William Burns e possivelmente de outros funcionários para o funeral de Arafat. Autoridades norte-americanas e européias disseram que há conversas em andamento sobre a retomada do processo de paz.

Questionado sobre a possibilidade de que a nova liderança palestina esteja aberta à paz, Bush respondeu que sim. “Haverá uma abertura para a paz quando a liderança do povo palestino der um passo à frente e diga: ‘Ajude-nos a construir uma sociedade democrática e livre”‘, disse o presidente a jornalistas durante reunião com o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer.

“Quando isso acontecer — e acredito que vá acontecer, porque acredito que todo mundo deseja viver em liberdade –, os Estados Unidos da América vão estar mais do que dispostos a ajudar a construir as instituições necessárias para que surja uma sociedade livre, para que os palestinos possam ter seu próprio Estado.”

“Acho que temos uma chance para isso, e estou ansioso por me envolver nesse processo”, acrescentou Bush.

Fontes palestinas dizem que a morte de Arafat pode ser anunciada nos próximos dias. Há planos para que o velório seja realizado no Cairo e que o enterro aconteça em Ramallah (Cisjordânia), onde fica a sede da Autoridade Palestina.

Fontes disseram que o governo Bush está discutindo com funcionários europeus sobre a possibilidade de ajudarem a organizar novas eleições, que, pela lei palestina, devem acontecer 60 dias depois da morte de Arafat.

Bush prometeu retomar a proposta de paz norte-americana para o Oriente Médio. Esse deve ser o principal ponto da reunião desta semana dele com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que tenta convencer seu aliado norte-americano a tornar o processo de paz uma prioridade.

As autoridades disseram que ainda é cedo para dizer como os Estados Unidos vão ajudar os palestinos. Uma opção sobre a mesa seria o envio de ajuda direta, segundo fontes norte-americanas e diplomáticas.

No ano passado, a Casa Branca ofereceu 20 milhões de dólares em ajuda direta à Autoridade Palestina para a melhoria dos serviços básicos. Mas a liberação de qualquer nova verba pode enfrentar dura oposição no Congresso dos EUA, segundo fontes parlamentares.

A ajuda norte-americana normalmente ocorre por meio de grupos internacionais, que agem independentemente da Autoridade Palestina. Mesmo assim, Washington contribuiu diretamente com um fundo usado pela Autoridade Palestina no primeiro ano após sua criação, em 1993.