Sem auxílio emergencial em 2021 ‘vai ser uma tragédia’, alerta Boulos

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Publicado quinta-feira, 3 de dezembro de 2020 as 12:49, por: CdB

Boulos e Manuela saíram fortalecidos das eleições de 2020, apesar de terem perdido as prefeituras de Porto Alegre e de São Paulo. Na reunião virtual, debateram o resultado dos pleitos municipais e o futuro.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

“Se consumarem o corte do auxílio emergencial vai ser uma tragédia, uma epidemia de desemprego, de desespero. A eleição acaba, os problemas continuam, e nosso compromisso com o povo continua”, alertou o presidenciável do PSOL, Guilherme Boulos, nesta quinta-feira. Ele participou, nesta manhã, de um encontro digital com a candidata à prefeitura de Porto Alegre, nestas eleições, Manuela D’Ávila (PCdB).

Manuela D'Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL) formam uma boa dupla para 2022
Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL) formam uma boa dupla de candidatos para 2022

— Desafio é estar junto com nosso povo, brigar pelo SUS, pela valorização dos profissionais de saúde, pela vacina. Porque no Brasil isso é uma briga política e ideológica mesmo. E brigar pelo nosso povo que está sofrendo na ponta. Espero que a gente chegue em 2022 não só mais fortes, mas também mais unidos, para derrotar o bolsonarismo no país — acrescentou Boulos.

Boulos e Manuela saíram fortalecidos das eleições de 2020, apesar de terem perdido as prefeituras de Porto Alegre e de São Paulo. Na reunião virtual, debateram o resultado dos pleitos municipais e o futuro. Durante 37 minutos ambos falaram sobre a revolução que promoveram nos últimos dois meses com suas campanhas eleitorais criativas, respeitosas, que mobilizaram milhões de cidadãos em duas das maiores capitais do Brasil.

— Nossas campanhas, (e também) a campanha da Marília (Arraes), lá em Recife, tiveram uma coisa muito boa em comum. Mobilizaram muita esperança. A gente apresentou projetos de cidade críticos, de combate à desigualdade, de dar voz à periferia. Mas a gente mobilizou uma coisa que foi muito além da eleição, que não terminou domingo passado, e que não terminaria, independente de qual fosse o resultado. Que é o sentimento da juventude de olho brilhando — disse Boulos.

Sonho

Em um bate-papo informal, eles falaram sobre projetos, unidade e, principalmente, sobre os sentimentos que ambas as campanhas despertaram nas pessoas.

— E o quanto isso é importante para nossa cidade e nosso país — acrescentou Boulos, que segue isolado em casa, em quarentena, após ter testado positivo para covid-19 às vésperas da votação em segundo turno.

Para Manuela, a sensação é idêntica.

— Quando tudo acabou, fiquei pensando: com quem gostaria de falar sobre o que eu vivi? E aí te mandei a mensagem e te convidei pra live. Queria falar com alguém que está com a mesma sensação que eu, que é uma sensação bonita. Isso de a gente ver as pessoas com orgulho, carregando a bandeira, chorarem de felicidade, as mulheres, os negros e as negras, os jovens. E de conseguir compreender a dimensão real do seu sonho — relatou a porto-alegrense.

Antigos ideais

Boulos concorda com ela.

— Quanto a gente está falando de eleição, está falando de sonhos e ideias disputarem o poder. Isso é muito potente. A política faz sentido quando ela é uma forma de fazer fluir aquilo que a gente acredita, que a gente sonha — acrescentou.

O candidato do PSOL descreve sua animação com a campanha. Além do pragmatismo, diz ele, foi uma campanha para ganhar, disputar o poder para valer, o projeto de cidade. E cita a vitória de Edmilson Rodrigues (PSOL), em Belém do Pará, onde ele acredita que haverá uma referência de capital democrática. E numa frente de esquerda unitária, desde o início, frisa Manuela.

— Mas o que me animou, ainda que não seja dessa vez que a gente consiga ganhar essa eleição, a gente ganhou o projeto de uma geração. Isso vale mais que tudo. Uma parte que há dois anos estava um pouco seduzida pela ideia da anti-política. Eu vi esses jovens aqui em São Paulo com o olho brilhando, pensando cidade, pensando projeto, pensando futuro. Isso acumulou para depois e vai muito além da eleição que se encerrou domingo passado. Reencantou uma geração — disse Boulos referindo-se à mobilização dos jovens.

Fake venceu

Mas nem só de bom humor se alimentou a conversa. As fake news de que foram vítimas tanto Guilherme Boulos quanto Manuela D’Ávila e outros tantos candidatos, e principalmente candidatas do campo da esquerda Brasil afora, foram lamentadas por ambos.

— Foi um tema que a gente não conseguiu vencer nesta eleição. Nem na de 2018. Acho que já tem um avanço porque as pessoas sabem que existe —disse a candidata do PCdoB.

Em Porto Alegre, estima-se, foram veiculadas 600 mil notícias falsas contra ela. Boulos até citou uma pesquisa eleitoral inventada na capital gaúcha.

Isso foi mais feio porque saiu da Bandeirantes. Uma emissora legitimou a notícia falsa. E com a crise, muita gente deixou de ter internet. Então eles fizeram as fake news circular em caminhões de som. Tu não tem ideia da minha cara quando passo por um caminhão de som dizendo que seu eu fosse prefeita ia ter carne de cachorro em Porto Alegre legalizada, que a gente ia derrubar as igrejas, ia transformar todos os banheiros em unissex — criticou Manuela.

Boulos lembrou que em São Paulo as fake news foram delimitadas em dois tipos. No primeiro turno, com o gabinete do ódio batendo na sua trajetória política.

— Tive mais tempo de TV com direito de resposta do Russomano que meu próprio tempo, tantas as mentiras que ele jogou. Não surtiu efeito. Tive o dobro de votos dele no primeiro turno. O bolsonarismo a gente conseguiu derrotar em São Paulo. E dizer que Doria foi o vitorioso na eleição de São Paulo também é mentira. Para ganhar, Covas escondeu o cara a sete chaves. No segundo turno, a máquina dos tucanos fez a estrutura — disse, lembrando mentiras veiculadas junto às creches conveniadas, a distribuição de cesta básica pela campanha de Covas.

Para 2022

Em um momento da live, Manuela relata que, nos comentários, muitas pessoas falam em candidatura, em 2022.

— Nossa luta não passa só por candidaturas, é uma luta de todo dia na sociedade. Podem culminar em candidatura ou não. Claro que tem de olhar para 2022, precisamos derrotar o bolsonarismo. Mas tem de olhar para o dia de hoje, para como dar sequência na mobilização social que construímos — alerta.

Boulos seguiu na mesma linha.

— Política pra gente não é simplesmente disputar cargo. É uma frente fundamental, mas não a única. A gente só conseguiu mostrar isso agora na disputa das eleições porque a gente traduziu um acúmulo de organização, de luta, de sentimento, que vem de muito antes e vai continuar depois das eleições — resumiu.