Sem auxílio emergencial, comércio passa por novo desastre nas vendas

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Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021 as 17:29, por: CdB

Os resultados negativos nos últimos dois meses do ano, no entanto, ainda deixam o acumulado de 2020 com alta de 1,2%. É a quarta vez seguida que o comércio tem alta anual: 2,1% em 2017; 2,3% em 2018 e 1,8% em 2019. Com o recuo de dezembro, as vendas do varejo se igualaram ao patamar de fevereiro, período pré-pandemia.

Por Redação – do Rio de Janeiro

As vendas do comércio varejista desabaram em dezembro, numa queda de 6,1% na comparação com novembro, quando variou -0,1%. Trata-se do declínio mais intenso para um mês de dezembro de toda a série histórica, iniciada em 2000.

Pessoas caminham em distrito de comércio popular em São Paulo durante pandemia de coronavírus
O comércio popular em São Paulo, durante pandemia de coronavírus, passa por um período de vendas mais fracas

Os resultados negativos nos últimos dois meses do ano, no entanto, ainda deixam o acumulado de 2020 com alta de 1,2%. É a quarta vez seguida que o comércio tem alta anual: 2,1% em 2017; 2,3% em 2018 e 1,8% em 2019. Com o recuo de dezembro, as vendas do varejo se igualaram ao patamar de fevereiro, período pré-pandemia, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados nesta quarta-feira em relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, recuou 3,7% em relação a novembro e fechou o ano em queda de 1,5%, após três anos consecutivos de altas. Em relação a dezembro de 2019, o crescimento foi 2,6%, sexta taxa positiva seguida nessa base de comparação.

— Os resultados da pesquisa costumam ter variações menores, mas com a pandemia, houve uma mudança desse cenário, já que tivemos dois meses (março e abril) de quedas muito grandes — disse a jornalistas o gerente de pesquisas do IBGE Cristiano Santos.

Resultado

O resultado do varejo foi de crescimento de maio até outubro, quando apresentou o maior patamar da série histórica e ultrapassou o patamar pré-pandemia, apesar da base de comparação muito baixa.

— A queda em dezembro é um reposicionamento natural, já que o patamar estava muito alto com os resultados de outubro e novembro — acrescenta Santos.

A inflação dos alimentos foi outro fator de influência para o resultado nos últimos meses. Segundo Santos, o comércio em hiper e supermercados têm um peso maior para a PMC, quase a metade do resultado total.

— O que acontece nos mercados influencia bastante a pesquisa. E, por conta dos resultados recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o volume de vendas acabou sendo afetado — acrescenta.

Sem auxílio

O crescimento do comércio varejista no acumulado de 2020 veio após um primeiro semestre de queda (-3,2%) e um segundo semestre de alta (5,1%). O comércio varejista ampliado apresentou a mesma dinâmica (-7,7% e 4,2%, respectivamente) mas o resultado não foi suficiente para a o indicador fechar o ano com taxa positiva.

O fim do auxílio emergencial e o aumento de casos de covid-19 no Brasil foram decisivos para a queda catastrófica nos resultados do varejo. Segundo empresários de grandes redes varejistas, em entrevista à mídia conservadora, nesta quarta-feira, os meses de agosto, setembro e outubro apontavam para uma recuperação, mas novembro, dezembro e janeiro foram muito piores do que o esperado.

— As vendas caíram muito. Imaginava-se que o fim do auxílio seria compensado pela retomada econômica, mas veio a segunda onda. Então, acabou o auxílio e a retomada não veio — disse a jornalistas o empresário Flávio Rocha, que dirige a rede Riachuelo.

Rocha afirma que o mês de janeiro foi o pior mês desde agosto, quando diversos Estados flexibilizaram as medidas restritivas adotadas para contenção da covid-19, o que aumentou a circulação de pessoas nas ruas e levou a uma retomada nas vendas.

— Esperava-se a retomada, mas ficamos no pior dos mundos, sem auxílio e sem emprego — concluiu.