Sem plano B, Bolsonaro diz que reforma da Previdência tem que ser aprovada

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Publicado quarta-feira, 2 de outubro de 2019 as 10:50, por: CdB

“A reforma é necessária. Se não fizer, quebra o Brasil em dois anos. Lamento, você tem que aprovar, não tinha como, disse Bolsonaro.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que a aprovação da reforma da Previdência é necessária para evitar que o Brasil quebre em dois anos e sinaliza que o país está fazendo o dever de casa, após o Senado aprovar o texto-base da proposta em primeiro turno, mas impondo uma derrota ao governo sobre o abono salarial.

Bolsonaro não comentou a derrota sofrida pelo governo com a aprovação pelo Senado de um destaque que derrubou novas regras mais rígidas sobre o abono salarial
Bolsonaro não comentou a derrota sofrida pelo governo com a aprovação pelo Senado de um destaque que derrubou novas regras mais rígidas sobre o abono salarial

“A reforma é necessária. Se não fizer, quebra o Brasil em dois anos. Lamento, você tem que aprovar, não tinha como. É uma maneira que nós temos de dar um sinal de que estamos fazendo o dever de casa”, disse Bolsonaro a apoiadores ao sair do Palácio da Alvorada, de acordo com vídeo divulgado no Facebook do presidente.

“Não tem plano B nem para mim nem para ninguém que estivesse no meu lugar, os outros governos tentaram fazer, mas não conseguiram. É uma realidade. Gostaria de não ter de mexer em muita coisa, mas, se não mexer, é como quando você tem de dar uma dura no moleque em casa”, acrescentou.

Derrota

Bolsonaro não comentou a derrota sofrida pelo governo com a aprovação pelo Senado de um destaque que derrubou novas regras mais rígidas sobre o abono salarial e diminuiu a economia prevista com a reforma em R$ 76,4 bilhões em 10 anos.

Os senadores adiaram a conclusão da votação em primeiro turno após a aprovação do destaque, e vão se reunir novamente nesta quarta-feira para continuar a análise de destaques.

Além dos destaques ainda pendentes, também não há definição sobre a votação da reforma em segundo turno no Senado, depois de senadores reclamarem do fato de o governo não ter cumprido compromissos assumidos com os parlamentares.

O alerta surgiu mais cedo na terça-feira, em reunião de lideranças com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e com a presidente da CCJ, Simone Tebet (MDB-MS), além do relator da Previdência.

De acordo com o líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), o sentimento externado pela maioria dos senadores na conversa da manhã desta terça-feira deve-se principalmente ao pacto federativo e a questões regionais.

Sobre a aprovação em 1º turno

O plenário do Senado aprovou na noite de terça-feira o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência em primeiro turno, mas a conclusão da votação foi adiada para esta quarta-feira após a aprovação de um destaque que derrubou novas regras mais rígidas sobre o abono salarial e diminuiu a economia prevista com a reforma.

O parecer do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi aprovado com o voto de 56 senadores a favor e 19 contra, após uma sessão com fortes críticas da oposição à proposta.

Após a aprovação do texto principal, o plenário do Senado votou quatro dos 10 destaques que separavam trechos específicos para deliberação à parte, e foi aprovado um destaque proposto pela bancada do Cidadania que excluiu da reforma mudanças sobre o abono salarial que reduziriam o limite de renda mensal para ter direito ao benefício, de acordo com a Agência Senado.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), defendeu a votação da reforma, mas reconheceu que é preciso sim avançar no pacto federativo. Ele disse ter certeza de que haverá uma solução muito em breve da questão.

Secretário lamenta queda de novas regras

O secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, lamentou nesta quarta-feira a queda de novas regras mais rígidas sobre o abono salarial na votação da reforma da Previdência em primeiro turno no Senado, avaliando que a política não prestigia os mais pobres.

– A perda do abono é uma pena por se tratar de uma política mal focalizada – disse Bianco.

Em postagem no Twitter mais tarde, Bianco destacou que apenas 40% dos pagamentos do abono salarial são direcionados para os mais pobres. “Hoje recebe abono um jovem de família rica que ganha até 2 mil reais, enquanto um ambulante não tem direito a nada”, afirmou o secretário.

– O Brasil queria alterar o abono para fazer com que esse valor chegasse aos mais pobres, chegasse aos informais. Infelizmente perdemos isso, temos que mudar essa situação – afirmou.

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