Sem quarentena, virus derrubará Bolsonaro ainda este ano

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Publicado quinta-feira, 16 de abril de 2020 as 19:55, por: CdB

A situação é mais ou menos esta – Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! A quase totalidade dos presidentes dos países do planeta decidiram pela observação de uma quarentena, que atenua o choque dos ataques do coronavirus, dando tempo ao tratamento dos infectados e ganha tempo até uma imunização da população. Mas há uma contrapartida – a vida economica do país fica quase paralizada e muita gente fica sem dinheiro.

Rui Martins, de Genebraeditor do Direto da Redação:
Um simples virus poderá derrubar Bolsonaro

O presidente Bolsonaro demitiu o ministro da saúde para relançar a economia com o fim da quarentena e provavelmente para se usar, no combate ao Covid-19, mais conhecido como Coronavirus,  um remédio não muito certo a cloroquina.

Vamos esperar que dê certo, pois isso envolve a vida de milhares de pessoas. Porém a Turquia já fez isso e está dando zebra. Erdogan, o presidente turco começou aplicando o chamado confinamento vertical, mas isso acelerou a transmissão do virus na população.

O Brasil é muito maior que a Turquia e grande parte de sua população é mais pobre que os turcos. Má alimentação dos pobres significa fraqueza ou menor resistência diante de ataques do virus. O que pode acontecer, e que Mandetta queria evitar?

Pode aumentar o número de pessoas contaminadas com o virus, num número maior que o dos leitos nos hospitais e muito maior que o número de respiradores disponíveis.

Porque a quarentena não é um remédio, é um recurso matemático para evitar uma situação de congestiomaneto e falta de camas nos hospitais. Ou seja, com a quarentena os doentes vão chegando aos hospitais num ritmo menor e há tempo para se tratar quem corre o irsco de morte.  Geralmente 20% dos contaminados morrem e 80% se salvam, essa é a tendência da estatística mais ou menos observada.

Sem quarentena, se houver uma explosão de contaminações, não haverá camas suficientes nos hospitais e muito menos respiradores. O resultado poderá ser dramático – em lugar de morrerem 20% dos infectados como agora, esse percentual pode aumentar, morrendo mais gente não pelo virus porém por falta de assistência médica.

Na Europa, a Suíça vai começar a diminuir o confinamento a partir do dia 27, a Alemanha a partir do no dia 11 de maio. Devagar, para esses países estarem prepados, no caso de haver ainda muitas novas contaminações.

Talvez em junho as coisas comecem a se normalizar com a maioria da população já contaminada pelo virus mas sem terem ficado gravemente doentes ou terem sido curadas nos hospitais.

Ora, no Brasil, o virus chegou mais tarde e, por isso, a propagação será mais forte em fins de maio e no mês de junho. Sem confinamento, haverá muito mais mortes, porque entrará também o fator falta de leitos nos hospitais com a decorrente falta de tratamento.

Bolsonaro agiu hoje como um jogador em Las Vegas, ele está praticamente sozinho na crítica a todos os outros presidentes de países em todo mundo.. Será que ninguém lhe mostrou a tabela geométrica da propagação das contaminações possíveis com o fim da quarentena?

Para Bolsonaro, o risco é grande: vai ser 8 ou 80. Se sua aposta ou carta de baralho não ganhar, Bolsonaro não emplacará 2021.

Sem querer repetir Bolsonaro e jogar ou apostar, prefiro me basear nos cálculos da marcha do virus com ou sem quarentena. Sem quarentena o Brasil vai perder o controle do virus, haverá muitas mortes e Bolsonaro acabará perdendo o apoio até dos evangélicos. Tudo vai depender se o novo ministro da Saúde obrigar os governadores a acabarem agora com a quarentena. Será uma vitória de Pirro.

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

Direto da Redação é um fórum de debates dirigido e editado pelo jornalista Rui Martins.

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