Sem vacinação à vista, Bolsonaro faz o país ‘passar vergonha’

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Publicado terça-feira, 5 de janeiro de 2021 as 13:39, por: CdB

Enquanto países latino-americanos, como Argentina, Chile e México já começaram a vacinar suas populações, ainda não há data prevista para o o início da imunização entre os brasileiros.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

O governo do mandatário neofascista Jair Bolsonaro (sem partido) tem feito o país “passar vergonha” perante as demais nações do mundo, ao sequer apresentar um plano consistente de vacinação contra a covid-19. Esta é a realidade descrita por especialistas, resumida nas declarações do ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP).

O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressalta os riscos de o país não iniciar, de imediato, o processo de vacinação
O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressalta os riscos de o país não iniciar, de imediato, o processo de vacinação

Enquanto países latino-americanos, como Argentina, Chile e México já começaram a vacinar suas populações, ainda não há data prevista para o o início da imunização entre os brasileiros.

— O governo brasileiro está passando vergonha — afirmou Padilha à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

De outra forma, o país corre ainda o risco de ver chegar a vacina primeiro para quem pode pagar. Representantes de clínicas da rede privada de imunização estão a caminho da Índia para negociar a compra de 5 milhões de doses da vacina covaxin, que está sendo desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech.

Fiocruz

Além disso, nesta segunda-feira, o governo indiano chegou a anunciar que não iria permitir a exportação da vacina de Oxford/AstraZeneca produzida pelo Instituto Serum. O fabricante indiano será responsável por produzir 1 bilhão de doses da vacina para países em desenvolvimento. Já nesta terça-feira, o presidente do instituto, Adar Poonawalla, disse pelo Twitter que as exportações das vacinas serão permitidas para todos os países.

Ainda assim, tais contratempos poderiam ter sido evitados, segundo Padilha. Para isso, o governo brasileiro deveria ter apostado em diversas vacinas. Em vez disso, colocou a quase totalidade das suas fichas nas doses da Oxford/AstraZeneca, a serem produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

— Para o Brasil ter um plano de vacinação, de uma vez por todas, o governo Bolsonaro tem que assumir a coordenação e incorporar todos os tipos de vacinas que se mostram eficazes e seguras para o plano brasileiro — afirmou Padilha.

Ele destacou que os países vizinhos, por exemplo, têm utilizado nos seus planos as vacinas da Pfizer, além da Sputnik V, desenvolvida pelos russos. Ambas estão fora, por ora, do plano de imunização do governo brasileiro.

Fura-fila

Para Padilha, neste momento, a possibilidade de compra das vacinas pela rede privada representa risco para o restante da população. Aqueles que não podem pagar acabariam ficando no fim da fila.

— Além de não garantir a vacinação pelo SUS, vamos ter pessoas furando a fila, e se vacinando antes daqueles que de fato precisam ser os primeiros. É uma situação absurda, que a gente não vivia no Brasil — criticou.

Como casos de campanhas de vacinação realizadas no Brasil que foram bem-sucedidas, Padilha citou o esforço de imunização contra o vírus H1N1, em 2010.

— Em três meses, o Brasil vacinou 80 milhões de pessoas. Foram mais de 100 milhões em seis meses. Fomos o país que mais vacinou no sistema público — declarou o ex-ministro.

O parlamentar também citou a incorporação da vacina contra o câncer de colo de útero, que foi incorporada ao sistema público, em 2014. Naquele momento, a vacina chegou a custar até R$ 1.200 em clínicas particulares.

— Estamos vivendo duas situações muito graves: primeiro, o desmonte do programa público de vacinação pelo governo Bolsonaro. E, segundo, alguns tentando furar a fila. Estão tentando ir na fonte de produção para passar na frente, adquirindo para clínicas privadas aquilo que tem que estar em programas públicos de vacinação por todo o mundo — ressaltou.

Suicídio nacional

O cenário desolador, na área da saúde, principalmente quanto à vacinação contra a covid-19, repete-se pela economia e a política, segundo o também ex-ministro José Dirceu, da Casa Civil. Em artigo publicado nesta terça-feira em um site de centro-direita, Dirceu propõe a remoção de Bolsonaro do poder ainda em 2021.

“Não podemos esperar por 2022 para derrotar este desgoverno. Nossa tarefa principal, em 2021, é remover Bolsonaro do cargo de presidente, de forma legal e constitucional, e mobilizar o país para a vacinação e para um plano de emergência que evite uma catástrofe social já às nossas portas com o aumento do desemprego, da pobreza, da inflação e fim do auxilio emergencial”, redigiu.

Ainda segundo o líder petista, ”não há mais dúvidas. Bolsonaro e seu bando não podem e não devem continuar governando o Brasil. É preciso impedir a marcha acelerada do governo em direção ao suicídio nacional”, acrescentou.

Frente Popular

Segundo o ex-ministro, é preciso “barrar todas suas iniciativas no Parlamento e recorrer ao Judiciário para obrigá-lo a vacinar a população e respeitar a Constituição, impedir que continue aparelhando as instituições e que venha a controlar a mesa das duas casas legislativas”.

“É necessário unir todos os democratas, progressistas, nacionalistas na luta contra Bolsonaro e constituir, desde já, uma Frente Popular de esquerda para organizar a resistência popular, lutar pela vacinação pública e gratuita, pelo auxílio emergencial, por um plano de investimentos para criar empregos e renda e para disputar as eleições presidenciais em 2022”, resumiu.