Em semana decisiva de contágio, Rio de Janeiro não tem leitos

Arquivado em: Destaque do Dia, Rio de Janeiro, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 4 de maio de 2020 as 13:59, por: CdB

Depois de declarar que esta semana será decisiva no combate ao contágio pelo novo coronavírus no Rio de janeiro, quando o Estado passou de mil mortes, a prefeitura da capital informou que não há leitos disponíveis no momento para internar pessoas acometidas pela doença.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

Depois de declarar que esta semana será decisiva no combate ao contágio pelo novo coronavírus no Rio de janeiro, quando o Estado passou de mil mortes, a prefeitura da capital informou que não há leitos disponíveis no momento para internar pessoas acometidas pela doença.

Defensoria Pública já alertou para colapso do sistema
Defensoria Pública já alertou para colapso do sistema

A Defensoria Pública tem feito o monitoramento dos leitos disponíveis e alertou para o colapso do sistema.

Segundo a prefeitura, os leitos que constam como livres no sistema de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) para unidades da rede municipal são as de unidades especializadas como maternidades, psiquiátricas e pediátricas. Portanto, não podem ser usadas para pacientes de covid-19.

A prefeitura informou também que alguns leitos não estão liberados por causa do afastamento de profissionais de saúde por causa da doença ou por estarem no grupo de risco para o novo coronavírus.

Hospital de campanha

O hospital de campanha inaugurado pela prefeitura na última sexta-feira no RioCentro vai disponibilizar, por enquanto, 20 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e 80 de clínica médica. Os primeiros pacientes já foram transferidos para o local.

A abertura dos 500 leitos previstos no local depende da chegada de equipamentos que a prefeitura comprou da China e devem ser entregues nesta semana. Também estão sendo contratados mais 112 profissionais de saúde para atender na unidade.

Hotéis solidários

No fim de semana, a prefeitura do Rio também ampliou o programa Hotel Solidário, que passou de duas para 21 comunidades atendidas. Com isso, idosos moradores de outras favelas, além da Rocinha e do Vidigal, poderão se hospedar nos hotéis pagos pela prefeitura para ajudar no isolamento dessa parte da população, considerada grupo de risco para a doença.

Foram disponibilizadas mil vagas desde o início das medidas de isolamento para conter o contágio pelo novo coronavírus, mas apenas 50 pessoas tinham se apresentado. O número subiu para 115, com a ampliação para comunidades do Leblon, de São Conrado, Santo Cristo, Copacabana, Gávea, Centro, Cidade de Deus, Parada de Lucas, Vila Isabel, Tanque, Marechal Hermes, Cascadura, Benfica, Rio Comprido, Jacaré, Maria da Graça, Cavalcanti, Tomás Coelho e Campo Grande.

Os hotéis ficam na Barra da Tijuca e no Centro da cidade e contam com serviços de hotelaria, refeições diárias, rouparia e lavanderia, além de uma equipe multidisciplinar de acompanhamento dos idosos, com psicólogos e assistentes sociais.

Ministério da Saúde

A juíza federal Carmen Silvia Lima de Arruda, da 15ª Vara Federal do Rio de Janeiro, intimou o Ministério da Saúde para uma série de ações relativas ao tratamento de pacientes com covid-19 em unidades federais no Rio de Janeiro.

Entre as determinações da magistrada está a troca da direção do Hospital Federal de Bonsucesso, devido a possíveis omissões cometidas pelos atuais gestores. Segundo despacho da juíza, o hospital falhou, entre outras coisas, ao não apresentar plano de contingência para covid, ter leitos ociosos (alguns de UTI) e não comprar testes de detecção de coronavírus para os funcionários do hospital.

– Estou intimando o Ministério da Saúde para se tomar ciência do que está se passando no Hospital de Bonsucesso e providenciar imediata troca da diretoria do hospital pela omissão diante da pandemia – disse a juíza, durante audiência na última quinta-feira.

De acordo com a Justiça, o Ministério da Saúde deverá informar ainda as providências que serão tomadas em relação aos outros hospitais da rede, já que haverá leitos ociosos em decorrência da suspensão de cirurgias eletivas.

Determina-se ainda que os profissionais desses hospitais sejam submetidos ao exame de detecção do coronavírus, no prazo de cinco dias.

Hospitais de campanha

A Justiça ainda intima o Comando Militar do Leste para que faça um levantamento dos insumos e equipamentos necessários para a abertura de hospitais de campanha. Também foram intimados os diretores dos hospitais do Exército, Marinha e Força Aérea no Rio para que informem sobre a ocupação dos leitos desses hospitais.

O Comando Militar do Leste informou que “todas as informações estão disponíveis no referido processo legal instaurado. O CML reafirma seu posicionamento consoante as diretrizes do Comando do Exército, o qual está sempre atento às demandas, dentro das normas que regem nossa nação.”

À Agência Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code