Senado instala CPI da Covid, apesar da pressão contrária de Bolsonaro

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Publicado terça-feira, 13 de abril de 2021 as 18:13, por: CdB

O mandatário refere-se, diretamente, ao ministro Luís Roberto Barroso, após determinar que a Casa Legislativa instalasse a CPI da Covid, para apurar supostos crimes e omissões do governo federal no combate ao novo coronavírus.

Por Redação – de Brasília

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) instalou, nesta terça-feira, a CPI da Covid, ao cumprir a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o processo de investigação tenha início, de imediato. Pacheco, no entanto, afirmou que não pautaria os pedidos de impedimento de ministros da Corte Suprema, conforme defendido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

As pressões do Planalto não foram suficientes para deter a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19

O mandatário refere-se, diretamente, ao ministro Luís Roberto Barroso, após determinar que a Casa Legislativa instalasse a CPI da Covid, para apurar supostos crimes e omissões do governo federal no combate ao novo coronavírus. Segundo o parlamentar, o mecanismo “não pode ser banalizado em atos de revanchismo ou retaliação”.

— Os pedidos de impeachment tanto de ministros do Supremo quanto do presidente da República devem ser tratados com muita responsabilidade, não se pode banalizar o instituto. Não podem ser usados por revanchismo ou retaliação — disse Pacheco, a jornalistas.

Inquérito

Pacheco nega-se que”o Senado atue de maneira revanchista ao relação ao Supremo”.

— O fato de o presidente do Senado discordar do mérito da decisão do ministro Barroso não me permite fazer qualquer tipo de ataque a qualquer ministro ou tampouco trabalhar com qualquer perspectiva de retaliação. Não é nosso perfil, não é bom para a democracia nem para as instituições — afirmou.

O presidente do Senado também disse que aceitará a manobra da base governista para incluir governos estaduais e prefeituras no escopo da CPI.

— Uma CPI não pode apurar fatos relativos a Estados. Isso incumbe às Assembleias Legislativas. O que cabe a uma CPI do Senado ou da Câmara dos Deputados é a apuração dos fatos no governo federal e os desdobramentos desses fatos que envolvem recursos federais encaminhados a Estados e municípios. Os fatos relacionados às verbas federais podem ser alvo de inquérito, mas não se pode investigar necessariamente Estados e municípios numa CPI federal — sublinhou.

Caso Kajuru

A pressão de Bolsonaro contra a apuração dos fatos ocorridos em seu governo, ao longo da atual pandemia, teve novos desdobramentos, nesta tarde. Após divulgar uma conversa em que Jair Bolsonaro revelou a intenção de interferir nos rumos da CPI da Pandemia, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou que rompeu o relação com o mandatário.

— Nunca mais falo com ele, está rompida a relação. A relação que era boa, cordial e respeitosa, acabou. Eu não guardo rancor. Mas a relação está rompida — acrescentou o parlamentar em entrevista à rádio paulista de ultradireita Jovem Pan.

Kajuru se diz magoado porque “no momento claquete, com aquele pessoal que fala ‘mito’, que fala ‘eu te amo’, ele resolveu me culpar porque alguém chamou sua atenção”.

— Se ele tivesse ficado puto comigo, poderia muito bem ter dado uma entrevista em algum momento do domingo, porque a imprensa está na porta do Palácio o dia todo. Ele poderia ter falado. Só falou às 10h desta terça-feira porque alguém chamou sua atenção e disse ‘culpe o Kajuru’. Só que eles está esquecendo que o Kajuru é preparado, tem 40 anos de imprensa, de jornalista. Eu gravo tudo, ofereço à Justiça o que ela quiser e precisar — acrescentou.

‘Porrada’

Questionado sobre por que telefonou e gravou a conversa, Kajuru respondeu:

— Para defender a minha honra e a honra dos meus colegas senadores, desrespeitados por ele, colocados na mesma vala, chamados de canalhada. Eu liguei para ele, pedi para que ele avisasse, em uma futura entrevista, que eu havia ligado. Liguei porque estava levando porrada de bolsonaristas, da turma dele, como se eu tivesse sido contra incluir governadores e prefeitos na CPI — contou.

O senador disse que não se arrepende de ter divulgado a conversa.

— Jamais. Em nenhum momento me arrependo. Eu tenho 40 anos de profissão. Meus amigos me apoiam abertamente. Um homem pode ser qualificado pela escolha de amigos e inimigos. Os amigos estão do meu lado — acredita.

Flávio Bolsonaro

Ainda nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) informou que ingressará com uma representação contra Kajuru no Conselho de Ética do Senado. O parlamentar alega que Kajuru precisa ser punido por quebra de decoro parlamentar, após divulgar a conversa mantida com o pai dele.

— Eu morri de rir.  Quem tem que ir ao Conselho de ética é ele. Eu nunca fui denunciado por crime nenhum. Ele tem que ter coragem de aceitar ir ao Conselho de Ética para explicar a denúncia contra ele. Nunca fui denunciado por corrupção, fui processado por opiniões políticas, por dirigentes de futebol e por criticar pessoas da televisão. Contra a minha honra nunca tive nada. Eu o convidei para ir junto comigo ao Conselho. (Espero) Que ele tenha coragem de ir se explicar sobre o que é denunciado — concluiu.