Senador Renan Calheiros ocupa a relatoria da CPI da Covid e incomoda muito Bolsonaro

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 16 de abril de 2021 as 15:46, por: CdB

A composição do colegiado foi definida na manhã desta sexta-feira, durante reunião entre os senadores de oposição ao governo e aqueles chamados “independentes”. Até o último minuto, o Palácio do Planalto tentou impedir que Calheiros ocupasse o posto-chave da CPI.

Por Redação – de Brasília

Os senadores que integrarão a CPI da Covid chegaram a um consenso, nesta sexta-feira, quanto à composição dos cargos no colegiado. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) recebeu o apoio da maioria para ser o relator da investigação, o que irritou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A Presidência caberá a Omar Aziz (PSD-AM), com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na Vice-Presidência.

Agência Senado
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi escolhido para a relatoria da CPI da Covid

A composição do colegiado foi definida na manhã desta sexta-feira, durante reunião entre os senadores de oposição ao governo e aqueles chamados “independentes”. Até o último minuto, o Palácio do Planalto tentou impedir que Calheiros ocupasse o posto-chave da CPI, mas sofreu uma nova derrota. Calheiros conseguiu a maioria ao reunir o apoio dos dois senadores do MDB, Aziz e Otto Alencar (BA), e dos três oposicionistas: Randolfe Rodrigues, Humberto Costa (PT-PE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Rodrigues chegou a mencionar interesse pela Presidência da CPI, uma vez ter sido um dos autores do requerimento que levou à sua instalação, mas cedeu para Aziz o posto para evitar que o senador do PSD fechasse acordo com a ala governista, que passaria a ter cinco integrantes e, assim, levasse ao desequilíbrio das forças internas.

‘Mensalão’

Jereissati, um crítico da condução do Palácio do Planalto na crise do coronavírus, no entanto, já prevê um cenário árduo para o governo na comissão.

— Não há dúvida nenhuma que um dos principais culpados pela situação a que nós chegamos é o governo federal — disse o tucano a jornalistas do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, nesta manhã. O senador frisou que o país vive um momento de verdadeiro desastre.

Jereissati também considera difícil que eventuais erros e omissões no combate à covid-19 a serem constatados pela CPI sejam completamente dissociados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele citou, ainda, a teoria do domínio do fato, usada no julgamento da Ação Penal 270 no Supremo Tribunal Federal, conhecida como ‘Mensalão’.

A tese jurídica prevê que autoridades devem responder por eventuais crimes, mesmo que não cometidos de mão própria, se tiveram conhecimento e controle da situação. No entanto reforça que, antes de apontar culpados, a CPI terá que investigar.